Austrália

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Riscos para o jornalismo investigativo

Em 2019, os jornalistas australianos tomaram conhecimento da grande fragilidade da liberdade de imprensa no país. A Constituição não oferece nenhuma garantia em relação à liberdade de expressão e reconhece apenas uma “liberdade implícita de comunicação política”. Nesse contexto, a dupla busca realizada pela polícia federal, em junho de 2019, na casa de um jornalista político de Camberra e na sede da Australian Broadcasting Corporation, a empresa de audiovisual pública, parece ser uma violação flagrante do sigilo das fontes e de uma imprensa que atua pelo interesse público dos cidadãos. O pretexto invocado de "segurança nacional" é usado para intimidar os jornalistas investigativos. Por outro lado, estes precisam lidar com a lei de difamação de 2018, que é uma das leis mais rígidas sobre o assunto nas democracias liberais. Além disso, há leis sobre terrorismo que tornam quase impossível de realizar uma cobertura livre sobre e tema, bem como uma tendência do governo do primeiro-ministro climatocético Scott Morrison de impedir a cobertura de certas questões ambientais. Esses ataques das forças políticas ao jornalismo investigativo são ainda mais preocupantes, uma vez que a Austrália é caracterizada por um dos mercados de mídia mais concentrados do mundo. Dois gigantes, News Corp, de Rupert Murdoch, e Nine Entertainment, herdeiro de um consórcio criado pela família Packer, compartilham quase toda a imprensa, o que limita seriamente o pluralismo. Acima de tudo, esse modelo oligárquico, no qual os grupos estão mais preocupados com lógicas comerciais e de redução de custos, representa um obstáculo adicional à promoção do jornalismo investigativo e de interesse público. O cenário tornou-se um pouco mais esclerótico no início de 2020, com o fechamento definitivo, após 85 anos de serviço, da única agência de notícias do país, a Australian Associated Press (AAC), considerada pouco lucrativa por seus dois principais acionistas - precisamente a News Corp e a Nine Entertainment.

26
na Classificação Mundial da Liberdade de Imprensa 2020

Posição

-5

21 em 2019

Pontuação global

+3.66

16.55 em 2019

  • 0
    Jornalistas assassinados em 2020
  • 0
    Jornalistas cidadãos assassinados em 2020
  • 0
    Colaboradores assassinados em 2020
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