Américas
Nicarágua
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Ranking 2022
160/180
Nota: 37,09
Indicador político
156
37.45
Indicador econômico
108
38.78
Indicador legislativo
166
31.75
Indicador social
147
49.80
Indicador de segurança
156
27.68
Ranking 2021
121/180
Nota: 60,02
N/A
Estes indicadores não estão disponíveis antes de 2022 em função de uma mudança metodológica

Com a reeleição do presidente Daniel Ortega, em novembro de 2021, para um quarto mandato consecutivo, a imprensa independente segue vivendo um verdadeiro pesadelo: censura, intimidação, ameaças. Jornalistas são constantemente estigmatizados e enfrentam campanhas de assédio, prisões arbitrárias e ameaças de morte. Muitos tiveram que deixar o país.

Cenário midiático

Na Nicarágua, praticamente não há mídia independente, devido à intensa onda de repressão lançada, desde maio de 2021, pelo regime de Ortega contra políticos da oposição, organizações civis e a imprensa independente. Apenas a mídia online, cuja maioria dos jornalistas vive no exílio, continua a relatar os abusos do governo. Os poucos veículos de comunicação que ainda operam no país, como a Radio Corporación e o noticiário televisivo Acción 10, evitam criticar o governo por medo de represálias.

Contexto político

Em 2021, a polícia nacional invadiu, sem mandado judicial, a redação do La Prensa, que continua ocupada. Desde então, o jornal impresso não é distribuído – uma violação que faz parte da onda de detenções de diretores e jornalistas de diversos meios de comunicação, acusados de lavagem de dinheiro ou traição sem que nunca tenha sido apresentada nenhuma prova contra eles. Em 2018, os veículos Confidencial e 100% Noticias já haviam sido confiscados pelo governo. 

Quadro jurídico

Após os protestos de 2018, o governo Ortega elaborou uma série de leis (aprovadas em 2020) que lhe permitiram agir contra opositores e jornalistas independentes ao longo de 2021. Dentre elas, destaca-se a Lei Especial de Crimes Cibernéticos, usada para condenar o jornalista Miguel Mendoza e outros dois cidadãos pelo simples fato de criticarem o governo nas redes sociais. Todos foram acusados de espalhar notícias falsas e receberam penas de 8 a 12 anos de prisão.

Contexto económico

A situação econômica do país não melhorou desde a repressão do governo aos protestos de abril de 2018. A repressão se intensificou em maio de 2021, o que resultou em uma queda significativa nos investimentos. O país é sustentado economicamente pela exportação de produtos como ouro, carne e café, além das remessas de divisas. A economia interna perdeu seu dinamismo, e os nicaraguenses sentem o peso da alta inflação.

Contexto sociocultural

A emigração aumentou exponencialmente, a ponto de os nicaraguenses que chegam à fronteira sul dos Estados Unidos rivalizarem em número com os migrantes dos países do chamado “Triângulo Norte da América Central” (Guatemala, Honduras e El Salvador). O clima predominante no país é uma mistura de medo da repressão e perda da esperança, o que faz com que inúmeros jovens expressem nas redes sociais seu desejo de deixar a Nicarágua.

Segurança

O exercício do jornalismo não é seguro na Nicarágua. Os jornalistas que ainda atuam no país trabalham com extrema discrição e não assinam seus artigos por medo de represálias. Câmeras fotográficas são confiscadas com frequência e quase não se fazem mais reportagens em campo.