África
Etiópia
-
Ranking 2022
114/180
Nota: 50.53
Indicador político
112
50.65
Indicador econômico
76
45.77
Indicador legislativo
99
63.66
Indicador social
126
57.29
Indicador de segurança
144
35.29
Ranking 2021
101/180
Nota: 66.37
N/A
Estes indicadores não estão disponíveis antes de 2022 em função de uma mudança metodológica

​Devastado por conflitos étnicos e por uma guerra civil, o país reverteu amplamente os ganhos recentes em termos de liberdade de imprensa.

Cenário midiático

O panorama midiático sob o governo de Abiy Ahmed, que chegou ao poder em 2018, continua muito polarizado e marcado por uma cultura de opinião que prejudica a verificação das informações. É, no entanto, mais aberto e pluralista em comparação com o regime anterior, uma vez que mais de 200 meios de comunicação antes proibidos voltaram a ser autorizados. O rádio continua sendo o meio de comunicação mais popular: a Fana FM, a Sheger FM e estações regionais têm grande audiência. Os canais de televisão privados mais conhecidos são Kana, EBS e Fana BC. Existem várias publicações de mídia impressa, lidas principalmente pelas elites urbanas. The Reporter é o semanário independente mais respeitado.

Contexto político

Com a guerra civil, o governo retomou o controle do campo da informação, sobretudo por meio da criação de uma plataforma de “verificação de informações”. Apresentada como um meio de comunicação, na realidade é apenas uma ferramenta destinada a transmitir a mensagem do regime, mesmo que isso signifique usar dados não verificados e desinformação para desacreditar vozes dissonantes. Longe de promover um jornalismo independente de qualidade, a Autoridade Regulatória da Mídia (EBA) é um instrumento a serviço do governo.

Quadro jurídico

Uma nova lei de mídia, aprovada em 2021, oferece uma estrutura legal mais liberal e protetora para jornalistas. A difamação foi descriminalizada e o sigilo das fontes é protegido. Na prática, no entanto, essa lei costuma ser amplamente contornada e não impede a prisão de jornalistas. A Lei Antiterrorismo e a mais recente lei sobre discurso de ódio contêm disposições muito vagas, com penas de prisão pesadas que podem ser usadas contra jornalistas críticos.

Contexto económico

Os baixos salários, o aumento do custo de vida e a corrupção põem à prova a integridade profissional dos jornalistas. A concentração da mídia nas mãos de um punhado de empresários gera problemas de independência, enquanto o custo de criação de um novo veículo de comunicação, especialmente no setor audiovisual, é um impedimento significativo.

Contexto sociocultural

Considerações étnicas, regionais e políticas são uma grande preocupação para muitos meios de comunicação etíopes, o que prejudica o jornalismo independente, plural e equilibrado. A autocensura é generalizada, inclusive entre os jornalistas.

Segurança

O recrudescimento dos ataques contra jornalistas observado desde o início da guerra na região do Tigré, em novembro de 2020, continua. Vários jornalistas foram mortos em circunstâncias pouco claras. Muitos repórteres, cuja cobertura não estava alinhada com a narrativa do governo, foram detidos sob acusações graves, como “promoção do terrorismo”, e um correspondente do New York Times foi expulso do país. Alguns veículos de comunicação, como a revista mensal Addis Standard, foram suspensos arbitrariamente, e o site Awlo Media Center anunciou o encerramento de suas atividades por causa de ameaças e repressão.