África
Zimbábue
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Ranking 2022
137/180
Nota: 44,94
Indicador político
150
40.30
Indicador econômico
139
32.40
Indicador legislativo
127
54.17
Indicador social
136
54.50
Indicador de segurança
131
43.34
Ranking 2021
130/180
Nota: 56,88
N/A
Estes indicadores não estão disponíveis antes de 2022 em função de uma mudança metodológica

A situação da mídia no Zimbábue melhorou um pouco desde a queda do ex-ditador Robert Mugabe em 2017: o acesso à informação se ampliou e a autocensura diminuiu. 

Cenário midiático

No Zimbábue, o panorama da mídia mostra uma pluralidade crescente e encorajadora, embora permaneça dominado por meios de comunicação controlados pelo Estado. As empresas estatais, Zimbabwe Broadcasting Corporation (ZBC) e Zimpapers, são as mais importantes, contando com seis estações de rádio, um canal de televisão e dez jornais, incluindo o diário The Herald. O diário Daily News e o semanário The Financial Gazette, ambos privados, também são amplamente lidos. O grupo Alpha Media Holdings (AMH) publica o diário NewsDay e o semanário The Independent, também muito populares. Existem quatro sites independentes de notícias online, incluindo Zimlive e The Newshawks, e 14 rádios comunitárias.

Contexto político

Desde a chegada ao poder de Emmerson Mnangagwa, os jornalistas do Zimbábue atuam em um clima político mais tranquilo, mesmo que as autoridades continuem tentadas a influenciar a linha editorial da mídia. Em 2021, o diretor da Zimpapers pediu aos editores que apoiassem publicamente o partido no poder antes da eleição. As autoridades também influenciam a escolha dos membros do conselho administrativo da autoridade reguladora da mídia, a Zimbabwe Media Commission.

Quadro jurídico

O arcabouço legislativo continua extremamente repressivo em relação à imprensa: as leis revogadas foram substituídas por outras igualmente severas, e a reforma do Código Penal, a Lei dos Segredos de Estado e a nova lei sobre cibersegurança e proteção de dados continuam a dificultar a livre exercício do jornalismo. O sigilo das fontes é protegido por lei, mas isso não se reflete na prática. Uma lei sobre liberdade de informação, há muito esperada, pode ser implementada em breve. 

Contexto económico

A situação econômica no Zimbábue tem consequências para o desenvolvimento dos meios de comunicação. O custo proibitivo da criação de novas mídias desencoraja os investidores, ao passo que as taxas de licenciamento anual de um canal de televisão podem chegar a dezenas de milhares de dólares. Essa situação permite ao Estado manter sua influência sobre o setor, com quase 70% das empresas de mídia impressa e audiovisual sob seu controle. Mal remunerados, os jornalistas são expostos a subornos, o que enfraquece sua independência. 

Contexto sociocultural

O Zimbábue continua sendo uma sociedade conservadora e, como tal, alguns temas relacionados à religião ou à prática de certos cultos são considerados tabus, levando à autocensura por parte da mídia. 

Segurança

Embora os níveis de violência contra jornalistas tenham diminuído significativamente durante o governo de Mnangagwa, a insegurança continua alarmante. A autocensura é uma prática rotineira para evitar represálias, e são frequentes as situações em que a polícia faz uso da força de maneira desproporcional. Intimidação, agressões verbais, ameaças (sobretudo nas redes sociais) e confisco de equipamentos continuam sendo práticas comuns. Os casos de prisão ou condenação de jornalistas são mais raros, com a notável exceção do jornalista investigativo Hopewell Chin’ono, que ficou preso por quase um mês e meio em 2020. O monitoramento de jornalistas por meio de escutas telefônicas também é comum.