Américas
Argentina
-
Ranking 2022
29/180
Nota: 77,28
Indicador político
28
76.36
Indicador econômico
50
51.53
Indicador legislativo
2
90.68
Indicador social
29
85.75
Indicador de segurança
39
82.06
Ranking 2021
69/180
Nota: 71,01
N/A
Estes indicadores não estão disponíveis antes de 2022 em função de uma mudança metodológica

A polarização entre os meios de comunicação públicos e privados permanece muito forte na Argentina. A judicialização da censura é uma das principais ameaças à imprensa, e jornalistas e meios de comunicação argentinos são regularmente alvo de denúncias de difamação.

Cenário midiático

A legislação garante a liberdade de imprensa, princípio caro aos argentinos. Os dois principais jornais do país são Clarín e La Nación. O site de notícias Infobae e o canal de televisão privado Telefe também são amplamente seguidos. Na mídia argentina, a diversidade de vozes é condicionada pela alta concentração midiática, publicidade estatal e privada e uma concepção partidária da mídia pública na classe política. Nas províncias mais pobres, a conjugação de interesses governamentais e empresariais traduz-se numa deterioração das condições de exercício do jornalismo. 

Contexto político

A liberdade de expressão é um princípio valorizado pelos argentinos e que conquistou o apoio, por convicção ou conveniência, de quase toda a classe política.  Nas últimas décadas, as oposições políticas impactaram diretamente o sistema de mídia. A polarização generalizada, pautada tanto por interesses políticos quanto econômicos, empobrece o debate – alguns assuntos são descartados de cara devido à radicalização de opiniões, oposição sistemática e ausência de debate, sobretudo público.

Quadro jurídico

A liberdade de imprensa e a liberdade de expressão são garantidas pela constituição. Desde 1983, quando a democracia foi restaurada, a legislação se libertou dos princípios autoritários de décadas anteriores: os delitos de ultraje, calúnia e injúria desapareceram do código penal; a indenização por informações falsas ou difamação é limitada à esfera civil; o sigilo das fontes e o sigilo profissional são garantidos. Em compensação, houve poucos avanços legislativos, se é que houve, para limitar o poder de censura, a comercialização de dados, o respeito à privacidade e a disseminação de notícias falsas pelo Google, Facebook, Twitter, etc.

Contexto económico

A imprensa argentina não escapou das dificuldades econômicas que marcaram os últimos dez anos e tornaram o emprego mais precário. Os meios de comunicação mais influentes pertencem a um pequeno grupo de conglomerados ligados à indústria de telecomunicações, exploração de petróleo e desenvolvimento de obras públicas. Entre 2015 e 2019, quase todos os regulamentos anticoncentração e contra conflito de interesses foram anulados. O Estado, por meio de publicidade, isenções fiscais e concessões de contratos, desempenha um papel opaco em seu apoio oficial à diversidade.

Contexto sociocultural

A Argentina é um país de contrastes, dividido entre a megalópole de Buenos Aires, 20 cidades de tamanho médio e extensos territórios com baixa densidade populacional. Embora todo o território tenha acesso à cultura, as condições aceitáveis para a divulgação e o exercício do jornalismo variam muito.

Segurança

Nenhuma prisão ou assassinato de jornalista foi relatado na Argentina, e agressões físicas são raras. Ataques ou ameaças contra jornalistas ou meios de comunicação despertam a indignação tanto da população quanto da classe política. Os profissionais da informação podem, no entanto, ser alvo de violência policial durante grandes manifestações, intimidação por parte de organizações criminosas (drogas, tráfico de seres humanos) e intervenções de forças policiais paralelas em bairros ou províncias desfavorecidos.