Américas
Brasil
-
Ranking 2022
110/180
Nota: 55,36
Indicador político
105
51.62
Indicador econômico
115
37.59
Indicador legislativo
69
69.74
Indicador social
83
70.00
Indicador de segurança
124
47.86
Ranking 2021
111/180
Nota: 63,75
N/A
Estes indicadores não estão disponíveis antes de 2022 em função de uma mudança metodológica

As relações entre o governo e a imprensa se deterioraram significativamente desde a chegada ao poder do presidente Jair Bolsonaro, que ataca regularmente jornalistas e a mídia em seus discursos. A violência estrutural contra jornalistas, um cenário midiático marcado pela alta concentração privada e o peso da desinformação representam desafios significativos para o avanço da liberdade de imprensa no país. 

Cenário midiático

O cenário midiático brasileiro é marcado por uma forte concentração privada, caracterizada por uma relação quase incestuosa entre os poderes político, econômico e religioso. Dez principais grupos econômicos, oriundos do mesmo número de famílias, dividem o mercado, sendo os cinco maiores: Globo, Bandeirantes, RBS, Record e Folha. O trabalho livre dos jornalistas é constantemente prejudicado, e a imprensa sofre forte interferência do governo. 

Contexto político

O trabalho da imprensa brasileira tornou-se especialmente complexo desde que Jair Bolsonaro assumiu o poder em 2018. O presidente ataca regularmente a imprensa, mobilizando exércitos de apoiadores nas redes sociais. Trata-se de uma estratégia bem coordenada de ataques com o objetivo de desacreditar a mídia, apresentada como inimiga do Estado.

Quadro jurídico

A Constituição Federal de 1988 garante o direito à liberdade de imprensa no país e, em geral, o arcabouço legislativo brasileiro é bastante favorável ao livre exercício do jornalismo. A lei de radiodifusão e telecomunicações, porém, é antiga, permissiva e ineficaz. Repórteres e mídia também são frequentemente alvos de processos judiciais abusivos por parte de políticos e empresários, que usam sua influência para intimidar a imprensa. 

Contexto económico

Os grandes grupos de mídia estão tentando reinventar seus modelos de negócios diante da crise global da imprensa causada pela chegada das plataformas online. Eles também investem em muitos outros setores, aumentando o potencial de conflitos de interesse e perda de independência editorial. A diversificação em diferentes setores da atividade econômica reforça a existência de desafios de independência editorial já existentes.  Por outro lado, a imprensa local está cada vez mais enfraquecida.

Contexto sociocultural

A retórica agressiva adotada pelo governo de Jair Bolsonaro para com os jornalistas e a imprensa tem contribuído para aumentar a hostilidade e a desconfiança na sociedade. A escala que a desinformação tomou no país continua intoxicando o debate público. 

Segurança

Ao longo da última década, pelo menos 30 jornalistas foram assassinados no Brasil, o segundo país mais letal da região neste período para jornalistas. Blogueiros, apresentadores de rádio e jornalistas independentes que trabalham em municípios de pequeno e médio porte e que cobrem corrupção e política local são os mais vulneráveis. O assédio e a violência online contra jornalistas, especialmente contra mulheres, continuam a crescer.