Paquistão

Paquistão

O controle implacável do establishment militar sobre imprensa

A imprensa paquistanesa, que tem uma longa tradição de dinamismo, tornou-se o principal alvo do "estado profundo", um eufemismo para o controle constante do exército paquistanês e da Inter-Services Intelligence (ISI) sobre o poder civil. Este estabelecimento militar, que não tolera o exercício independente do jornalismo, aumentou tremendamente sua influência desde que o primeiro-ministro Imran Khan chegou ao poder em julho de 2018. Existem inúmeros casos de censura desavergonhada, facilitadas por um arsenal de pressões exercidas pelo exército: interrupção da distribuição de jornais, como o diário de referência Dawn, chantagem com anúncios publicitários, bloqueio de sinais de transmissão dos canaisque se atrevem a abrir espaço a representantes da oposição ... Os jornalistas que ousam cruzar a linha vermelha tentando cobrir temas considerados tabus pelo exército são alvo de campanhas de assédio orquestradas pelo ISI. Depois de repreender a imprensa tradicional, o establishment já embarcou em um novo projeto: expurgar a Internet e as redes sociais de qualquer conteúdo que o desagrade. Para tal, o governo age com frequência na tentativa de aprovar textos para "regular" o ciberespaço - "regulação" deve ser claramente entendida aqui no sentido de "censura". Em campo, a situação dos jornalistas continua muito precária, sobretudo nas províncias ocidentais do Baluchistão e de Khyber Pakhtunkhwa, onde os repórteres ficam acuados entre forças de segurança e rebeldes armados. Quatro jornalistas e um blogueiro morreram em 2019 em relação direta com sua atividade. E, como tem sido o caso há pelo menos uma década, a impunidade por crimes cometidos contra jornalistas é absoluta.

145
na Classificação Mundial da Liberdade de Imprensa 2020

Posição

-3

142 em 2019

Pontuação global

-0.31

45.83 em 2019

  • 2
    Jornalistas assassinados em 2020
  • 0
    Jornalistas cidadãos assassinados em 2020
  • 0
    Colaboradores assassinados em 2020
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