Brasil: RSF pede às autoridades que garantam a segurança dos jornalistas na cobertura das próximas mobilizações golpistas

Desde o ataque às instituições democráticas em Brasília no dia 8 de janeiro, pelo menos 35 jornalistas já foram agredidos por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro em todo o Brasil. Diante da convocação de novos atos, a Repórteres sem Fronteiras (RSF) pede ao governo federal que zele pela garantia da segurança dos trabalhadores da imprensa pela polícia

O balanço das agressões contra jornalistas não pára de crescer desde o ataque contra as três instituições democráticas mais importantes do Brasil, no último domingo, dia 8 de janeiro. Pelo menos 15 jornalistas foram agredidos quando cobriam a invasão e saque do Palácio do Planalto, do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal por apoiadores do ex-presidente de extrema-direita, Jair Bolsonaro. Desde então, ao menos 20 outros episódios de violência contra a imprensa foram registrados, em diferentes estados, por ocasião das operações de desmantelamento dos acampamentos golpistas.

É urgente que os governadores dos 27 estados brasileiros dêem instruções claras para suas polícias garantirem a segurança dos jornalistas que cobrirão os próximos atos convocados pelos apoiadores do ex-presidente. As cenas de passividade da polícia durante agressões de jornalistas por militantes bolsonaristas em Brasília no dia 8 não podem se repetir

Artur Romeu
Diretor do escritório da Repórteres sem Fronteiras (RSF) para a América Latina

O pedido já havia sido apresentado ao ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Paulo Pimenta, por ocasião de uma reunião, no dia 9 de janeiro, com jornalistas agredidos e entidades de defesa da liberdade de imprensa, entre elas a RSF. 

Desde o término das eleições em outubro e a véspera da invasão dos golpistas a Brasília, ao menos 78 casos de ataque já haviam sido identificados pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), entre hostilizações, agressões físicas, ameaças, destruição de equipamentos e atentados à sede de dois meios de comunicação.

O ministro da Secretaria de Comunicação Social, Paulo Pimenta, repudiou a violência contra a imprensa, reafirmou o compromisso do governo Lula com a liberdade jornalística e se comprometeu com a priorização da identificação dos responsáveis pelos ataques. Uma operação especial será estabelecida pela Polícia Civil do Distrito Federal para ouvir os jornalistas agredidos em Brasília. O ministro afirmou que este tipo de conduta não pode ser tolerado e que o novo governo vai trabalhar para transformar o clima de hostilidade contra a imprensa que perdurou no governo Bolsonaro. 

Depois de quatro anos de um governo abertamente hostil em relação à imprensa, a reunião emergencial convocada pelo governo Lula pode ser considerada um avanço na relação das autoridades brasileiras com os jornalistas.

 

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