Egito

Egito

Uma das maiores prisões do mundo para jornalistas

A situação da liberdade de expressão é motivo de crescente preocupação no Egito, no qual as ondas de prisões e apreensões são recorrentes. O país se tornou uma das maiores prisões do mundo para jornalistas. Alguns passam anos em detenção provisória sem que nenhuma acusação seja formalizada contra eles ou sem que jamais sejam julgados, outros são condenados a fortes penas de prisão que podem chegar à perpetuidade em processos extremamente injustos. Desde a chegada ao poder de Abdel Fattah Al-Sissi, os jornalistas testemunharam um fenômeno de "sissização" dos meios de comunicação: o governo egípcio persegue os jornalistas suspeitos de proximidade com a Irmandade Muçulmana e se dedica a comprar os maiores grupos de imprensa. As autoridades controlam a paisagem midiática inteiramente a seu favor, a ponto de instalarem um manto de chumbo total sobre o país. A Internet é o último espaço onde informações independentes podem circular, mas, desde o verão de 2017, mais de 500 sites foram bloqueados, incluindo muitos de notícias. As prisões por postagens simples em redes sociais estão aumentando. Privados de visibilidade online e diante da impossibilidade de sobreviver, os meios de comunicação se veem obrigados a fechar. O arsenal jurídico repressivo ameaça igualmente a liberdade de imprensa. Adotada em agosto de 2015, a lei antiterrorista exige que os jornalistas respeitem a versão oficial ao cobrir os atentados, em nome da segurança nacional; adotadas em 2018, uma nova lei-quadro sobre a mídia e uma lei sobre crimes cibernéticos reforçam a influência do executivo sobre os meios de comunicação, bem como a possibilidade de processar ou prender jornalistas e fechar sites que compartilhem informações independentes online. Grande parte da região do Sinai é proibida aos jornalistas e defensores dos direitos humanos, assim como a cobertura independente de qualquer operação militar. A censura não diz respeito apenas ao exército: muitos assuntos econômicos (inflação, corrupção) também podem levar os jornalistas à prisão. Os períodos eleitorais, como a eleição presidencial da primavera de 2018 ou o referendo constitucional para estender o mandato, exacerbam a censura e aceleram o ritmo do fechamento dos meios de comunicação. A imprensa estrangeira também é alvo: retirada de artigos, reportagens atacadas pelas autoridades, jornalistas expulsos ou proibidos de entrar no território.

166
na Classificação Mundial da Liberdade de Imprensa 2020

Posição

-3

163 em 2019

Pontuação global

+0.35

56.47 em 2019

  • 0
    Jornalistas assassinados em 2020
  • 0
    Jornalistas cidadãos assassinados em 2020
  • 0
    Colaboradores assassinados em 2020
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