Tanzânia

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O "trator" avança sobre os meios de comunicação

Desde 2015 e da eleição de John Magufuli, a Tanzânia chegou gradualmente ao autoritarismo. Nenhum dos 180 países classificados pela RSF sofreu uma deterioração tão intensa de sua situação com relação à liberdade de imprensa nos últimos anos. O presidente, apelidado de "trator", não tolera nenhuma crítica a ele ou ao seu programa. Em 2019, o jornalista investigativo Erick Kabendera pagou o preço. Seus artigos críticos sobre a economia, o governo e a corrupção do país lhe valeram sete meses atrás das grades. As acusações contra ele mudaram três vezes e as audiências para seu julgamento se multiplicaram sem debate sobre o mérito. O ministério público constantemente pediu mais tempo para conduzir suas investigações. Incapaz de fazer um baluarte, a justiça enviou através deste episódio uma mensagem assustadora. Não há mais nenhum poder capaz de proteger os jornalistas e os meios de comunicação na Tanzânia. Estes últimos continuam a ser afetados pelas suspensões arbitrárias. Três TVs na web e um grande jornal diário foram as vítimas em 2019. Ao suspender os meios de comunicação de forma maciça, cerca de quinze nos quatro últimos anos, e ameaçar a imprensa privada com a perda de recursos publicitários, o governo instaurou um clima de medo no qual a autocensura ganha espaço. Em 2017, ele assumiu abertamente posição a favor de um governador que invadiu com a polícia uma estação de rádio privada para transmitir um programa que comprometia um de seus oponentes. O controle de informações também é exercido online desde a adoção em 2018 de uma lei assassina para a blogosfera da Tanzânia, que obriga sites e blogues a se registrem para serem credenciados por custos exorbitantes. O jornalista Azory Gwanda, que estava investigando assassinatos suspeitos de autoridades locais, está desaparecido desde novembro de 2017 em total descaso pelas autoridades. Em 2019, o Ministro das Relações Exteriores declarou que o repórter estava morto, para em seguida retirar suas declarações. Alguns meses antes, dois ativistas da liberdade de imprensa que estavam investigando esse desaparecimento haviam sido expulsos do país.

124
na Classificação Mundial da Liberdade de Imprensa 2020

Posição

-6

118 em 2019

Pontuação global

+3.97

36.28 em 2019

  • 0
    Jornalistas assassinados em 2020
  • 0
    Jornalistas cidadãos assassinados em 2020
  • 0
    Colaboradores assassinados em 2020
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