Relações

9 Dezembro 2016 - Atualizado a 19 Dezembro 2016

Balanço 2016: O número de jornalistas presos no mundo continua aumentando

A Repórteres sem fronteiras (RSF) publica seu balanço anual de jornalistas sequestrados, desaparecidos e presos.

A tendência é de alta. Ao todo, identificamos 348 jornalistas presos no mundo, o que representa um aumento de 6% em relação a 2015. O número de jornalistas profissionais presos deu um salto de 22%, tendo quadruplicado na Turquia após a tentativa de golpe em julho deste ano. Atualmente, são mais de 100 jornalistas e colaboradores de meios de comunicação que se encontram atrás das grades no país. Nossa organização pôde confirmar uma relação direta entre essas detenções e a atividade profissional desses comunicadores em pelo menos 41 dos casos.


O surto autoritário do presidente Erdogan se expressa, entre outras coisas, pelas prisão indiscriminada de jornalistas trabalhando para determinados meios de comunicação, reduzindo ao silêncio vozes críticas no país. Quando a justificativa para essas prisões não é o “insulto ao presidente da República”, é sob acusações de terrorismo que os jornalistas são levados às centenas para os tribunais de justiça. Provas formais já não são mais necessárias para enviar um jornalista para a prisão e o número de detenções arbitrárias continua aumentando.


Além da Turquia, a China, o Irã e o Egito, concentram juntos mais de dois terços dos jornalistas presos.


A repressão aos jornalistas continua a aumentar no mundo num ritmo infernal, declarou Christophe Delore, Secretário Geral da RSF. Nas portas da Europa, acontece uma verdadeira caça às bruxas, que arrasta dezenas de jornalistas para as prisões e faz da Turquia a maior prisão para a profissão no mundo. Em apenas um ano, o regime de Erdogan destruiu o pluralismo midiático no país diante de uma União Européia que se calou sobre a questão”.


52 jornalistas estão atualmente nas mãos de sequestradores. Em 2016, todos estes se encontram em países em conflito no Oriente Médio. Sem surpresa, a Síria e o Iraque fazem parte dos países mais perigosos para a profissão, com o grupo Estado Islâmico detendo sozinho 21 comunicadores reféns.


Diante dos riscos cada vez maiores enfrentados pelos jornalistas, a RSF pede a criação de um “representante especial para a segurança dos jornalistas” diretamente ligado ao Secretário Geral das Nações Unidas. Até o momento, as numerosas resoluções da ONU sobre a proteção dos jornalistas e a luta contra a impunidade não apresentaram resultados expressivos.


Baixar o balanço

Ver os detalhes sobre os jornalistas mortos em 2016