Notícia

7 Agosto 2019

Violência policial contra jornalistas na Polônia

A Repórteres Sem Fronteiras (RSF) condena o comportamento inadequado de policiais contra repórteres durante uma manifestação nacionalista, na semana passada, para marcar o 75º aniversário da revolta de Varsóvia e apela às autoridades polonesas para que respeitem o trabalho da imprensa. A polícia atacou um repórter e expulsou outros dois durante a marcha.

A manifestação organizada por movimentos nacionalistas de extrema direita realizada em Varsóvia, no dia 1 de agosto de 2019, foi marcada por casos de violência contra jornalistas envolvendo policiais. Jędrzej Nowicki, fotojornalista do jornal Gazeta Wyborcza, de Varsóvia, foi atacado fisicamente por um policial ao tentar fotografar os manifestantes contrários à marcha que estavam sendo despejados da Praça Krasinski. “Eu estava tirando fotos quando senti um policial me agarrar pelo pescoço, me puxar para trás e depois me jogar no chão", disse Nowicki. No início do dia, dois repórteres que trabalham para a mídia independente Oko.press foram forçados pela polícia a deixar a manifestação à pedido dos organizadores, que não queriam a presença da imprensa cobrindo a marcha.

"Esses incidentes constituem uma séria violação da liberdade de informar e indicam um declínio gradual na capacidade dos repórteres de cobrir livremente os eventos públicos na Polônia", declarou representante da RSF para a União Européia e Balcãs. "Pedimos às autoridades polonesas que tomem as medidas necessárias para garantir que os jornalistas possam trabalhar com total segurança".

Nowicki disse que vem testemunhando essa escalada de repressão. "Um grau de tensão está tomando conta", disse ele. “Fui atingido por um policial enquanto cobria o protesto de ambientalistas em Konin. Foi o segundo incidente em duas semanas. A situação está se deteriorando perigosamente ”.

 

A Polônia está despencando na Classificação Mundial de Liberdade de Imprensa da RSF desde que o governo conservador assumiu o cargo, em outubro de 2015, e agora está em 59º lugar entre 180 países.