Notícia

2 Março 2009 - Atualizado a 16 Outubro 2016

Vários meios de comunicação reduzidos ao silêncio pelo exército na noite do assassínio do chefe de Estado


Comunicado em português

Repórteres sem Fronteiras expressa o seu alívio ao tomar conhecimento do regresso à normalidade do funcionamento dos órgãos de comunicação guineenses, cujas emissões haviam sido brevemente interrompidas entre a noite do dia 1 de Março de 2009 e a manhã do dia 2, período em que foram assassinados sucessivamente o Chefe do Estado Maior das Forças Armadas e o Presidente João Bernardo Vieira.

“No actual contexto de instabilidade, apelamos a todos os intervenientes da vida política guineense, e em especial às forças armadas do país, que respeitem a liberdade de imprensa. Mais do que nunca, as circunstâncias exigem que os jornalistas sejam protegidos e que lhes seja garantida a possibilidade de exercer a sua profissão sem impedimentos”, declarou a organização.

No dia 1 de Março, pelas 21 horas, pouco depois do ataque que vitimou o Chefe do Estado Maior das Forças Armadas, o general Tagmé Na Waié, o exército ordenou aos jornalistas de várias estações de rádio privadas da capital e da televisão nacional que interrompessem as suas emissões, invocando “motivos de segurança”. Durante a manhã de dia 2, só os meios de comunicação internacionais continuavam a transmitir normalmente, enquanto que as rádios e as televisões locais se limitavam a passar música. As programações habituais foram retomadas por volta das 13 horas.

Pelas 20 horas do dia 1 de Março, o general Tagmé Na Waié resultara mortalmente ferido na sequência de um atentado à bomba contra o Estado-maior do Exército. Em retaliação, um grupo de militares próximos do Chefe do Estado-maior dirigira-se então, durante a noite, à residência privada do Presidente João Bernardo “Nino” Vieira, que foi morto no momento em que tentava fugir de sua casa.

Em Novembro de 2007, num relatório intitulado “Cocaína e golpe de Estado, fantasmas de uma nação amordaçada” em que se abordava a situação precária dos jornalistas da Guiné-Bissau, Repórteres sem Fronteiras solicitara às forças armadas guineenses que se limitassem aos procedimentos legais em caso de conflito com a imprensa e que reconhecessem publicamente a importância primordial de uma imprensa activa, livre e bem informada para o sucesso da reconstrução do país. As autoridades militares não deram resposta a este pedido.