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1 Fevereiro 2005 - Atualizado a 16 Outubro 2016

« Vais morrer como Carlos Cardoso » : Jornalista é assaltado por desconhecidos e recebe ameaça de morte (versão portuguesa)


No dia 27 de Janeiro, na zona periférica de Maputo, Jeremias Langa, Director de Informação do canal privado moçambicano Soico TV (STV), foi assaltado no próprio carro por desconhecidos e esteve sob a ameaça de armas de fogo durante mais de meia-hora. Os seus agressores insultaram-no e ameaçaram-no de ter o mesmo destino que o jornalista assassinado, Carlos Cardoso, se continuasse a « falar demais ».

« Alguns dias depois da volta à prisão de um dos assassinos de Carlos Cardoso, essa agressão desperta antigas inquietações, declarou Repórteres sem Fronteiras. Esta não é a primeira vez que Jeremias Langa é agredido. Ate hoje, as investigações da Polícia não chegaram a resultado algum », acrescentou a Organização.

« A violência contra a imprensa e a impunidade dos agressores deviam ser coisa do passado. Mas, para atingir tais objectivos, as autoridades de Moçambique devem levar esse assalto a sério, e não mais arranjar pretextos para evitar uma investigação rápida. Jeremias Langa deve ser protegido até que os seus agressores, inclusivamente o seu eventual cabecilha, sejam encontrados », concluiu Repórteres sem Fronteiras.

Na noite de 27 de Janeiro, em Malhangalene, na periferia de Maputo, capital de Moçambique, Jeremias Langa foi assaltado por dois indivíduos desconhecidos «de raça negra, com cerca de trinta anos », segundo o relato que fez. Ameaçando-o com revólveres, os dois agressores subiram no seu Toyota Corolla. Um deles pegou o volante, enquanto o outro mantinha o jornalista sob a ameaça de uma arma de fogo, no assento traseiro do carro. « Tu falas demais, disse-lhe o homem que o detinha. És um jornalista que fala demais. Vamos dar-te uma lição para que te cales. Vais morrer como Carlos Cardoso.» Jeremias Langa explicou a Repórteres sem Fronteiras que se esforçou para não dizer nada e se manter calmo. « Agora não dizes nada, mas falas muito no teu canal de televisão », repetiu um dos desconhecidos durante a meia-hora que durou o assalto.

Ao passarem pela frente de um restaurante que se situa a vários quilómetros do centro da cidade, os dois homens deitaram o jornalista fora do carro . Mostrando-lhe as armas, ameaçaram : « Se disseres o que quer que seja, matar-te-emos.»

Em Outubro de 2004, Jeremias Langa já tinha sido agredido por desconhecidos ao sair do escritório. Quando chegou perto do seu carro, três homens, dois dos quais armados, o insultaram gritando: « Jornalista sujo, encontrar-te-emos ! »

Interrogado por Repórteres sem Fronteiras, Jeremias Langa lamentou a inacção da Polícia, a qual afirma que os seus serviços «perderam a sua queixa». Diz ignorar os motivos exactos dos seus agressores, acreditando que as intervenções regulares no canal STV em que faz entrevistas com personalidades moçambicanas o expõem a eventuais acertos de conta políticos.