Notícia

30 Maio 2017

Um novo canal de comunicação dedicado à segurança dos jornalistas é criado no mais alto nível da ONU

O secretário geral da ONU, Antonio Guterres, tomou uma medida concreta a favor da segurança dos jornalistas. Em situações de emergência, a comunicação entre as Nações Unidas e as organizações de defesa da liberdade de expressão será facilitada para que haja uma melhor coordenação dos esforços das diferentes instâncias da ONU.

O gabinete do secretário geral das Nações Unidas, Antonio Guterres, decidiu criar um canal de comunicação privilegiado com várias organizações de defesa da liberdade de imprensa. Esta ferramenta, dedicada à segurança dos jornalistas, deverá permitir uma comunicação direta e permanente com a ONU em caso de urgência. A decisão de Antonio Guterres foi tomada após uma entrevista, em fevereiro passado, com a Repórteres sem Fronteiras (RSF), o Comité para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) e a Associação Mundial de Jornais e Editores de Notícias (WAN-IFRA), em nome da coalizão #ProtectJournalists, que defende a criação do cargo de Representante Especial para a Segurança dos Jornalistas na ONU.


Ao longo de suas conversas com os membros do gabinete do Secretário Geral, os representantes da coalizão #ProtectJournalists procuraram garantir que esse novo modo de comunicação permita, em caso de emergência, uma mobilização eficaz das mais altas instâncias da organização, assim como uma melhor coordenação entre os fundos, os programas e as instituições da ONU, como recomenda o Plano de Ação das Nações Unidas.


"O secretário geral Antonio Guterres manifestou sua vontade de tomar medidas imediatas para melhorar a segurança dos jornalistas em campo e nos indicou que seus colaboradores mais próximos trabalhariam nesse sentido. Em um segundo momento, ele continuará a estudar nossa proposta inicial sobre a criação de um cargo de Representante Especial das Nações Unidas para a segurança dos jornalistas. Uma proposta apoiada por uma grande coalizão internacional composta por mídias, jornalistas, ONGs e personalidades públicas", declarou o secretário geral da RSF, Christophe Deloire. "Apreciamos muito o seu envolvimento com este tema e saudamos a decisão que tomou. Os grandes problemas deste mundo, como a questão ambiental ou a luta contra os extremismos, não terão solução sem o trabalho dos jornalistas."


"Em um período onde as ameaças contra os jornalistas ao redor do mundo atingem um nível sem precedentes, agradecemos o secretário geral por seu envolvimento na defesa da importância da imprensa no mundo todo e na criação de um canal de comunicação permanente reservado às situações de urgência", afirmou, por sua vez, o diretor do CPJ, Joel Simon.


A RSF e os membros da coalizão #ProtectJournalists devem ainda estabelecer um procedimento para levantar os casos urgentes e, em seguida, comunicá-los ao secretariado da ONU. Nas próximas semanas, a RSF organizará uma consulta com organizações de defesa da liberdade de imprensa, atuando no âmbito internacional e local, para definir as melhores maneiras de sinalizar as emergências ao secretário geral, o mais rapidamente possível.


Desde a adoção do Plano de Ação das Nações Unidas em 2012, 508 jornalistas e colaboradores de meios de comunicação foram mortos ao redor do mundo, segundo dados apurados pela RSF. Na maior parte dos casos, a impunidade ainda é a regra. Segundo estudos realizados pelo CPJ, ao longo dos dez últimos anos, a justiça só foi totalmente feita em 3% dos casos de assassinato de jornalistas.