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19 Outubro 2016 - Atualizado a 3 Novembro 2016

Turquia: Justiça pede 14 anos de prisão para o representante da RSF no país

Ahmet Nesin, Sebnem Korur Fincanci y Erol Önderoglu
Acusado de “propaganda terrorista”, o representante da Repórteres sem Fronteiras (RSF) na Turquia, Erol Önderoglu, está preso desde o dia 20 de junho de 2016. O Secretário Geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, declarou estar preocupado com a situação. Diversas organizações internacionais também se somaram a RSF para pedir a libertação imediata e incondicional de Erol.

No dia 22 de junho, um procurador de Istambul pediu 14 anos de prisão para o representante da Repórteres sem Fronteiras (RSF) no país, Erol Önderoglu, acusado de “propaganda terrorista”. Trata-se do mesmo procurador que já havia ordenado a prisão provisória, na última segunda-feira (20), de Erol Önderoglu e de outros dois colegas, o jornalista Ahmet Nesin e o presidente da Fundação de Direitos Humanos da Turquia, Sebnem Korur Financi, por terem apoiado o jornal curdo Özgür Gündem.


Desde maio de 2016, Erol Önderoglu participa de uma campanha de solidariedade ao jornal – assim como diversos outros jornalistas, intelectuais e ativistas de direitos humanos – na qual eles se revezam simbolicamente como editores do veículo, como forma de denunciar a pressão do governo de Erdogan sobre os meios de comunicação curdos. Há anos que a RSF alerta para o uso abusivo de leis antiterroristas para reprimir o jornalismo independente no país.


É mais um dia triste para a liberdade de imprensa na Turquia", declarou Johann Bihr, diretor do escritório Europa do Leste e Ásia Central da RSF. "Há 20 anos Erol Önderoglu luta sem descanso para defender jornalistas perseguidos. Seu rigor e seriedade, reconhecidos em todo mundo, o tornaram uma figura celebrada nesse campo. O fato dele ter se tornado um alvo diz muito sobre a grande deterioração da liberdade de imprensa no país


Erol Önderoglu, 46 anos, atua como representante da RSF na Turquia desde 1996. Ele passou boa parte da juventude na França, onde conheceu sua atual esposa, também filha de imigrantes turcos. De volta ao país, um dos primeiros casos no qual atuou em nome da organização foi o assassinato do jornalista Metin Göktepe, do jornal Evresel, espancado até a morte pela polícia. Desde então ele vem se destacando internacionalmente pela sua imparcialidade e seriedade na defesa da liberdade de imprensa na Turquia.


Em 2002, Erol Önderoglu recebeu uma série de ameaças quando a RSF anunciou uma campanha para denunciar os “Predadores da Liberdade de Imprensa” no mundo, entre os quais o então chefe das forças armadas turcas, Huseyin Kivrikoglu. Inabalável, ele continuou acompanhando os diversos processos judiciais contra meios de comunicação e jornalistas e produzindo relatórios frequentes sobre a situação da liberdade de informação no país, boa parte deles compilados no portal de notícias Bianet. Seu trabalho foi reconhecido pela Organização para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), ao ser escolhido como especialista para a questão de jornalistas encarcerados. Além de representante da RSF na Turquia, Erol Önderoglu é também membro do Conselho da organização Intercâmbio Internacional para a Liberdade de Expressão (IFEX).


No dia 21 de junho, o Secretário-Geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, declarou estar preocupado com a prisão do representante da RSF na Turquia e que ele espera que Erol Önderoglu seja libertado rapidamente, durante uma reunião com o Secretário-Geral da RSF, Christophe Deloire, na sede da organização, em Nova York. Diversos representantes de organizações internacionais também ecoaram essa preocupação, como o Presidente do Parlamento Europeu, a Alta Representante da União Europeia para Assuntos Exteriores, o Comissário dos Direitos Humanos do Conselho da Europa e a própria OSCE.


Uma petição iniciada pela RSF já recolheu mais 10 mil assinaturas pedindo a liberdade imediata e incondicional de Erol Önderoglu, Sebnem Korur Financi e Ahmet Nesin.