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18 Novembro 2016 - Atualizado a 5 Dezembro 2016

RSF pede a Trump que respeite a liberdade de imprensa durante sua presidência

Donald Trump, eleito presidente dos EUA / AFP
Com Donald Trump prestes a ocupar a presidência do Estados Unidos, a Repórteres sem Fronteiras (RSF) chamada a atenção para o caráter essencial da liberdade de imprensa no país.

No decorrer da campanha presidencial para as eleições americanas do passado dia 8 de novembro, Donald Trump manifestou posições preocupantes sobre a imprensa. Ele ameaçou processar jornais por artigos “propositadamente negativos” e prometeu reformar as leis sobre a difamação: “Quando o New York Times ou o Washington Post escreverem um artigo ultrajante, poderemos processá-los judicialmente”.


Trump suspendeu a credencial do Washington Post após esta declaração de sua equipe: “Devido à cobertura e às reportagens extremamente inexatas da campanha excepcional de Donald Trump, revogamos as credenciais de imprensa desse jornal falso e desonesto jornal que é o Washington Post”.


Trump também insultou e ameaçou os repórteres que o descreveram de modo negativo ou lhe fizeram perguntas difíceis. Além disso, recusou a participar de um debate republicano porque o canal Fox News não aceitou trocar a jornalista moderadora, Megyn Kelly.


As decisões tomadas por Donald Trump para restringir a liberdade da imprensa durante a campanha presidencial enviaram um sinal muito preocupante acerca de suas intenções na presidência, afirmou Christophe Deloire, Secretário-geral de RSF. Como Presidente, pedimos-lhe que respeite a liberdade de imprensa e a liberdade de expressão, valores protegidos pela Primeira Emenda da Constituição. A imprensa deve poder realizar seu trabalho sem temer represálias de uma Casa Branca hostil.


As manobras para limitar a imprensa durante a campanha presidencial fazem parte de uma tendência global alarmante de restrição da liberdade de imprensa nos Estados Unidos. Desde 2013, a posição dos Estados Unidos na Classificação Mundial da Liberdade da RSF retrocedeu 14 lugares. O país ocupa agora a 41ª posição em 180 países.