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5 Abril 2018 - Atualizado a 5 Setembro 2019

A RSF e seus parceiros anunciam a "Journalism Trust Initiative (JTI)", um dispositivo inovador contra a desinformação

Um dispositivo de autorregulação das mídias visando lutar contra a desinformação online, a Journalism Trust Initiative (JTI), acaba de ser lançado pela Repórteres sem Fronteiras, a Agence France-Presse (AFP), a União Europeia de Radiodifusão (UER) e a Global Editors Network (GEN).

O Secretário Geral da Repórteres sem Fronteiras (RSF), Christophe Deloire, a diretora de informação da Agence France-Presse (AFP), Michèle Léridon, o diretor geral da União Europeia de Radiodifusão (UER), Noël Curran, e o presidente da Global Editors Network (GEN), Peter Bale (por vídeo), anunciaram, durante uma coletiva de imprensa organizada no dia 3 de abril de 2018 em Paris, o lançamento de uma iniciativa inovadora de autorregulação, a Journalism Trust Initiative (JTI), que pode ser traduzida em português como Iniciativa para a Confiabilidade da Informação, que tem por objetivo favorecer o respeito ao processo de produção jornalística e oferecer vantagens concretas àqueles que o praticam.


"No novo sistema do espaço público, as informações falsas circulam mais rápido do que as verdadeiras: a defesa do jornalismo supõe reverter essa lógica, oferecendo uma vantagem real a todos que produzam informações de maneira confiável, qualquer que seja o seu status", declarou Christophe Deloire, secretário geral da RSF.


A Journalism Trust Initiative consiste em criar um referencial para o jornalismo na forma de indicadores de transparência das mídias, independência editorial, implantação de métodos jornalísticos e respeito às regras de conduta. Essas normas (ou "standards") serão estabelecidas no âmbito de um processo coletivo sob a égide do Comitê Europeu de Normalização (CEN), aberto a partir do dia 3 de abril de 2018 aos agentes do setor: mídias, associações e sindicatos profissionais, instâncias de autorregulação tais como conselhos de imprensa e os órgãos de regulamentação, assim como plataformas digitais, anunciantes e representantes dos interesses dos consumidores. Essas normas serão destinadas a se tornarem uma referência em matéria de autorregulação das mídias e de boas práticas para todos aqueles que produzem conteúdos jornalísticos, sejam eles blogueiros ou grupos de mídias internacionais. A adoção de regras abrirá caminho para um processo de certificação.


"Concebemos um dispositivo de autorregulação baseado em uma análise global do campo da informação, que permite relacionar aspectos deontológicos a questões econômicas. Acreditamos profundamente que nossa iniciativa contribuirá para favorecer a integridade do debate público ao garantir o maior pluralismo possível", acrescentou Christophe Deloire.


Vantagens poderão assim ser associadas à qualidade e à independência do jornalismo através de uma distribuição e um processamento privilegiado pelos algoritmos dos motores de busca e das redes sociais, resultando em uma melhor visibilidade, maior alcance e maiores receitas publicitárias. Representantes dos anunciantes, preocupados em estabelecer uma lista de mídias às quais associar suas imagens, demonstraram seu interesse na iniciativa, que poderia fornecer a eles os critérios para alocação de despesas publicitárias. O dispositivo poderia assim servir de referência para as subvenções públicas da imprensa, oferecendo assim às mídias fontes complementares de financiamento. Ele poderia ser usado por órgãos de regulação e servir de base para um selo das mídias confiáveis.


"A AFP, agência de notícias mundial e multimídia cuja missão é fornecer 'uma informação exata, imparcial e digna de confiança’, tem o combate contra a proliferação das manipulações e informações falsas no centro de sua missão, enfatizou a diretora de informação da Agence France-Presse, Michelle Léridon. Líder do projeto CrossCheck que permitiu a uma quinzena de mídias lutar contra a desinformação antes das eleições presidenciais francesas, parceira em diferentes projetos contra as ‘fake news’, membro do grupo de especialistas da União Europeia sobre a desinformação, a AFP se congratula com sua participação na Journalism Trust Initiative em defesa de uma informação confiável e de qualidade."


"No momento em que o próximo Regulamento Geral Europeu sobre a Proteção de Dados (RGPD) se prepara para mostrar ao mundo inteiro a unidade dos Europeus em matéria de proteção da vida privada, essa iniciativa da RSF é mais do que bem-vinda, declarou Bertrand Pacquerie, diretor geral do GEN. Está claro que precisamos de uma maior transparência quanto aos fornecedores de conteúdo, e estamos de acordo com o fato de que uma referência voluntária e autorreguladora para todas as fontes de conteúdo jornalístico faz parte da solução. A Global Editors Network está pronta para participar - juntamente com outros órgãos de imprensa - da discussão aberta pela Journalism Trust Initiative"


O diretor geral da UER, Noël Curran, acrescentou: "A UER acredita que a presença online de organizações de mídias de serviço público seja essencial para apoiar uma cidadania informada e represente uma ferramenta essencial na luta contra a propagação de notícias falsas. Um jornalismo digno de confiança e de qualidade é a marca das mídias de serviço público e a UER apoia totalmente essa iniciativa, que ajudará o público a identificar fontes confiáveis e a apoiar um jornalismo de qualidade."


O Grupo de Trabalho do CEN será presidido por Claudio Cappon, ex-diretor do canal público italiano RAI, enquanto Olaf Steenfadt, ex-jornalista dos canais alemães ARD e ZDF, representará a RSF. O "Plano de projeto" publicado hoje no site do CEN fica, a partir de hoje, sujeito aos comentários e à aprovação de todos os grupos participantes. Aqueles que apoiarão o documento serão, em seguida, convidados a colaborar por um período de 12 a 18 meses, para elaborar os indicadores, sob a égide tanto do órgão francês de normalização, a Association Française de Normalisation (AFNOR), quanto de seu equivalente alemão, o Deutsches Institut für Normung (DIN).


A Federação Europeia de Jornalistas (FEJ), que participa das reflexões, formulou propostas que foram levadas em consideração. Desde setembro de 2017, a RSF organiza em Bruxelas uma consulta preparatória com, além dos parceiros, a Ethical Journalism Network (EJN), a Federação Europeia de Jornalistas (FEJ), as mídias públicas holandesas (NPO/KRO-NCRV), a rede alemã ARD, a European Magazine Media Association, o Grupo RTL, a Association des Télévisions Commerciales Européennes (ACT), a European Newspaper Publishers’ Association, EMMA/ENPA, a News Media Europe (NME), a Associação Mundial dos Jornais (WAN-IFRA), a European Association of Communication Agencies, o Center for Media, Data and Society (CMDS) da Central European University (CEU) de Budapeste, o Observatoire de la Déontologie de l'Information (ODI), o Fórum Econômico Mundial (WEF) e o Escritório do Alto Representante da OSCE para a Liberdade dos Meios de Comunicação. Em fevereiro de 2017, uma reunião de trabalho foi também organizada em Oxford por iniciativa do Reuters Institute for the Study of Journalism.


O líder dos motores de busca, a empresa americana Google, informou à RSF sobre sua decisão de participar do processo JTI.


"Nós apoiamos e encorajamos plenamente as iniciativas que garantam às marcas ambientes digitais seguros e dignos de confiança. Saudamos os programas que, como este, tendem a uma maior transparência e estamos ansiosos por acompanhar sua evolução", afirmou, por sua vez, em uma declaração à RSF, Stephan Loerke, o presidente da Federação Mundial de Anunciantes (WFA).


A Repórteres sem Fronteiras (RSF) é uma organização internacional não governamental de defesa do jornalismo. Reconhecida como sendo de utilidade pública na França, a RSF possui status consultivo na ONU, na Unesco, no Conselho da Europa e na Organização Internacional da Francofonia. A sede em Paris trabalha com escritórios em Londres, Washington, Rio de Janeiro, Túnis e Taipei, seções na Alemanha, Áustria, Espanha, Finlândia, Suécia, Suíça e correspondentes em 130 países.


A Agence France-Presse (AFP) é uma agência de notícias mundial que fornece uma cobertura rápida, verificada e completa em vídeo, texto, fotos, multimídias e infografia dos acontecimentos que compõem o noticiário internacional. Das guerras e conflitos à política, à economia, ao esporte, aos espetáculos, passando pelos grandes acontecimentos na área da saúde, das ciências ou da tecnologia.


A Global Editors Network (GEN) é a principal organização que estimula a inovação nos meios de comunicação para os editores de todas as plataformas - impressas, digitais, móveis ou de radiodifusão. A GEN é uma comunidade de mais de 4 mil redatores chefe e inovadores de mídias engajados com o jornalismo sustentável através de uma variedade de programas concebidos para inspirar, se conectar e compartilhar. É uma associação não governamental sem fins lucrativos.


A União Europeia de Radiodifusão (UER) é a maior aliança de mídias de serviço público (MSP) do mundo. Temos 73 membros em 56 países, assim como 33 afiliadas na Ásia, na África e no continente americano. Nossos membros exploram cerca de 2 mil serviços - televisão, rádio e serviço online - em mais de 120 idiomas, alcançando um público potencial de mais de um bilhão de pessoas. Entre nossas atividades estão o Eurovision e o Euroradio.