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12 Maio 2004 - Atualizado a 16 Outubro 2016

Repórteres sem Fronteiras pede explicações às autoridades após a fuga de um dos assassinos de Carlos Cardoso (versão portuguesa)


Repórteres sem Fronteiras está chocada com a fuga - anunciada no dia 10 de Maio pela Polícia - de Aníbal António dos Santos, mais conhecido pelo nome de Anibalzinho, do presídio de segurança máxima de Maputo. A Organização pediu às autoridades que façam o possível para encontrar e identificar os responsáveis por essa evasão.

Repórteres sem Fronteiras está chocada com a fuga - anunciada no dia 10 de Maio pela Polícia - de Aníbal António dos Santos, mais conhecido pelo nome de Anibalzinho, do presídio de segurança máxima de Maputo. Em janeiro de 2003, o criminoso tinha sido condenado a 28 anos de prisão pelo assassínio do jornalista Carlos Cardoso.

«Esta é a segunda vez que Anibalzinho foge do presídio de segurança máxima de Maputo. Hoje já não restam dúvidas de que conta com cumplicidade de alto escalão. Isto é inadmissível e as autoridades moçambicanas, que se comprometeram a lutar contra a impunidade, devem fazer o possível para encontrar e identificar os responsáveis por esta evasão», declarou Repórteres sem Fronteiras.

«Esta fuga confirma a tese, já desenvolvida por Repórteres sem Fronteiras em relatório datado de Novembro de 2003, segundo a qual um ou vários mandantes do assassínio de Carlos Cardoso ainda estariam em liberdade. Este caso ainda não foi totalmente esclarecido », acrescentou a Organização.

A Polícia não deu detalhe algum sobre a fuga de Anibalzinho. Em Setembro de 2002, o criminoso já tinha fugido e sido capturado na África do Sul no mesmo dia da sua condenação a 28 anos de prisão pela morte de Carlos Cardoso.

Carlos Cardoso, Director do Diário Metical, foi morto em 22 de Novembro de 2000 na Avenida Mártires de Machava, em Maputo. Estava no seu automóvel com o motorista quando dois homens lhe bloquearam a passagem e abriram fogo. Carlos Cardoso, atingido por vários disparos na cabeça, teve morte instantânea. O seu motorista ficou gravemente ferido. Antes da morte, o jornalista estava a fazer investigações sobre o maior escândalo financeiro do país desde a sua independência: o desvio de uma soma equivalente a 14 milhões de euros do Banco Comercial de Moçambique (BCM). Nos seus artigos, tinha citado nomeadamente dois irmãos Satar e Vicente Ramaya, três homens de negócios muito influentes.

No dia 31 de Janeiro de 2003, o tribunal especial instaurado em Maputo para julgar os assassinos do jornalista deu o seu veredicto: o homem de negócios Momade Abdul Satar foi condenado a vinte e quatro anos de prisão; o seu irmão, Ayob Abdul Satar, bem como Vicente Ramaya, Manuel Fernandes e Carlos Rachid Cassamo, a vinte e três anos e meio. Os cinco acusados foram declarados culpados de "homicídio". Anibalzinho foi condenado a 28 anos de prisão e 15 anos de privação de direitos civis.

Por várias vezes, durante os debates, dois dos criminosos tinham acusado o filho do Chefe de Estado, Nyimpine Chissano, de ser o mandante do assassínio de Carlos Cardoso. No final de Dezembro de 2002, o Procurador Geral da República, Joaquim Madeira, tinha anunciado que novas investigações estavam a ser feitas para se esclarecer a eventual responsabilidade de Nyimpine Chissano no caso. Em Novembro de 2003, durante missão de Repórteres sem Fronteiras, o Procurador tinha declarado a um representante da Organização : "As investigações estão mais próximas do fim do que do início."