Notícia

8 Dezembro 2020

Prêmio RSF para a Liberdade de Imprensa 2020: anunciados os 3 vencedores e o prêmio especial para Jimmy Lay, fundador do Apple Daily de Hong Kong

A cerimônia de entrega do Prêmio RSF da Liberdade de Imprensa 2020, que aconteceu no dia 8 de dezembro em Taipei, recompensou a jornalista russa Elena Milashina (categoria Coragem), a rádio afegã Merman (categoria Impacto) e a editora chefe egípcia Lina Attalah (categoria Independência). Um prêmio especial foi concedido ao fundador do jornal honconguês Apple Daily, Jimmy Lai.


Na sua 28a edição, após Londres em 2018 e Berlin em 2019, foi na capital taiwanesa que a Repórteres sem Fronteiras (RSF) entregou, na terça 8 de dezembro de 2020, os Prêmios da Liberdade de Imprensa 2020. Numa cerimônia realizada na Biblioteca Nacional de Taipei, transmitida ao vivo nas redes sociais, dois jornalistas e uma rádio foram assim recompensados. O júri também concedeu um prêmio especial a Jimmy Lai, dono do jornal Apple Daily.


Considerando-se o a forte degradação da liberdade de imprensa em Hong Kong e as pressões do regime de Pequim, o júri decidiu demonstrar um apoio especial a Jimmy Lai, que dirige um dos raros jornais de Hong Kong que ainda ousam criticar abertamente o regime chinês e que cobriu amplamente as manifestações em apoio à democracia no ano passado. Seu filho, Sebastian Lai, esteve presente na cerimônia para receber o prêmio em nome do pai. Acusado de "fraude", Jimmy Lai foi preso novamente na semana passada e está detido em Hong Kong.



O Prêmio da Coragem 2020, que visa recompensar os jornalistas, meios de comunicação ou ONGs que demonstraram coragem na prática, defesa ou promoção do jornalismo, foi concedido à jornalista investigativa do trissemanário russo Novaïa Gazeta, Elena Milashina. Especialista em Chechênia, ela é com frequência alvo de ataques, ameaças de morte e censura. Apesar de tudo, continua a publicar artigos sem concessões sobre os temas mais sensíveis dessa república autônoma, dirigida com mão de ferro por Ramzan Kadyrov.



O Prêmio do Impacto 2020, que visa recompensar os jornalistas, meios de comunicação ou ONGs que contribuíram com melhorias evidentes em matéria de liberdade jornalística, de independência e de pluralismo, ou com uma conscientização mais profunda sobre tais questões, foi concedido à rádio afegã Merman, que tem como foco servir à causa das mulheres ("merman" em pashto) no Afeganistão. A rádio, dirigida por uma equipe feminina, realiza suas atividades na região de Kandahar, apesar das ameaças dos talibãs e dos ataques visando suas jornalistas.



O Prêmio da Independência 2020, que visa recompensar os jornalistas, meios de comunicação ou ONGs que resistiram de maneira marcante às pressões financeiras, políticas, econômicas ou religiosas, foi concedido a Lina Attalah, editora chefe e uma das fundadoras do jornal online Mada Masr, um dos raros veículos de informação independentes no Egito. Há três anos, o site do Mada Masr está bloqueado pelas autoridades no país. 


"Os vencedores dos prêmios RSF para a liberdade de imprensa encarnam os ideais do jornalismo, declarou o secretário geral da organização, Christophe Deloire. A exigência, a coragem, o impacto, a independência no respeito às normas éticas do jornalismo são alguns dos critérios recompensados. Contudo, muito além de uma simples homenagem aos premiados, o Prêmio RSF existe como um apoio aos nomeados, ao seu trabalho e aos riscos que precisam correr, muitas vezes, para informar o público."


"Taiwan, que continua a figurar entre os primeiros colocados da Ásia no Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa publicado todos os anos pela Repórteres sem Fronteiras (RSF), representa um contra modelo evidente ao sistema autoritário chinês", enfatiza o diretor do escritório da RSF para a Ásia Oriental, Cédric Alviani. 


O júri desta 28ª edição, encabeçado pelo presidente da RSF, Pierre Haski, foi composto por eminentes jornalistas ou defensores da liberdade de expressão de todo o mundo: Rana Ayyub (Índia, Washington Post); Raphaëlle Bacqué, (França, Le Monde); Mazen Darwish (Síria, Centro Sírio para a Mídia e a Liberdade de Expressão); Zaina Erhaim (Síria, Institute for War and Peace Reporting); Erick Kabendera (Tanzânia); Hamid Mir (Paquistão); Frederik Obermaier (Alemanha, Süddeutsche Zeitung) e Mikhail Zygar (Rússia, Dozhd).