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1 Junho 2018

O verdadeiro falso assassinato de Arkadi Babtchenko: "Nada justifica encenar a morte de um jornalista"

Crédit : Sergei Supinsky / AFP
O serviço secreto ucraniano anunciou ter encenado o assassinato do jornalista russo Arkadi Babtchenko para desmascarar aqueles que queriam matá-lo. A Repórteres sem Fronteiras (RSF) denuncia uma simulação lamentável.

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Dado como morto um dia antes, o jornalista russo Arkadi Babtchenko reapareceu bem vivo no dia 30 de maio, numa coletiva de imprensa organizada pelo serviço secreto ucraniano (SBU) em Kiev. O jornalista explicou ter sido informado há um mês que o serviço secreto russo (FSB) preparava uma tentativa de assassinato contra ele e que não teria outra escolha a não ser participar da operação coordenada pelo serviço secreto ucraniano. Arkadi Babtchenko pediu desculpas a seus familiares e amigos que de nada sabiam.


Segundo o chefe do SBU, Vassili Gritsak, essa operação permitiu a prisão do mandante do assassinato, um cidadão ucraniano recrutado pelo FSB, além de evitar a morte de trinta outras pessoas que estavam igualmente na mira das autoridades russas.


"O reaparecimento do jornalista é um grande alívio. Mas é triste e lamentável que o serviço secreto ucraniano tenha jogado com a verdade. Seria preciso recorrer a essa manobra? Nada justifica a encenação da morte de um jornalista", declarou Christophe Deloire, secretário geral da Repórteres sem Fronteiras.


Segundo as informações confirmadas pela polícia ucraniana no dia 29 de meio, o famoso jornalista de 41 anos havia morrido em consequência de seus ferimentos quando era transportado em ambulância, após ter sido alvejado por três balas nas costas quando voltava a seu apartamento em Kiev.


Crítico ferrenho do governo russo desde a anexação da Crimeia em 2014, Arkadi Babtchenko recebia, regularmente, ameaças de morte nas redes sociais. Temendo por sua segurança, fugiu da Rússia em fevereiro de 2017 para Praga, após uma campanha coordenada contra ele nos canais de televisão estatal. Alguns meses mais tarde, o jornalista se instalou em Kiev, onde apresentava seu programa na rede de televisão tártara ATR, desde outubro de 2017.


A Ucrânia ocupa o 101o lugar de 180 no Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa 2018, publicado pela RSF.