Notícia

24 Fevereiro 2017

O secretário geral da ONU se compromete a agir em prol da segurança dos jornalistas

A Repórteres sem Fronteiras (RSF) e o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) fizeram um apelo ao Secretário Geral da ONU, Antonio Guterres, para tomar medidas, o mais rapidamente possível, a fim de garantir a segurança dos jornalistas.


O secretário geral da RSF, Christophe Deloire, e o diretor do CPJ, Joel Simon, reuniram-se com o secretário geral da ONU, Antonio Guterres, para falar sobre o apelo lançado por uma coalizão internacional pela criação de um Representante Especial das Nações Unidas para a segurança dos jornalistas. A reunião contou também com a presença de Dave Callaway, forte apoiador dessa iniciativa e candidato à presidência do World Editors Forum da associação WAN-IFRA.


"Em nome da RSF, eu acolho o forte comprometimento pessoal de Antonio Guterres pela segurança dos jornalistas e por uma imprensa livre e independente", declarou Christophe Deloire. O secretário geral da ONU acredita que esses temas são fundamentais para o bom funcionamento de qualquer democracia, assim como para os Direitos Humanos, e se compromete a tomar providências. Contamos com ele para tornar a ONU mais eficiente para que proteja melhor os jornalistas."


"Em uma época de forte aumento de ataques físicos e verbais contra jornalistas ao redor do mundo, o apoio demonstrado pelo secretário geral é animador e gratificante", afirmou, por sua vez, Joel Simon. Estamos ansiosos por trabalhar com ele na concretização desse compromisso."


O objetivo é instaurar um mecanismo concreto de aplicação do direito internacional, que permita finalmente reduzir o número de jornalistas mortos a cada ano no exercício de suas funções ou por causa delas. A julgar pelas estatísticas, a adoção de inúmeras resoluções da ONU para a proteção dos jornalistas e a luta contra a impunidade não permitiu que se obtivesse resultados concretos. Ao contrário, os cinco últimos anos foram os mais mortíferos jamais registrados para os jornalistas, com centenas de mortos. Somente em 2016, 78 jornalistas foram assassinados, segundo os dados da RSF. Na maioria dos casos, esses crimes permanecem impunes. Ao longo da última década, a justiça só foi feita totalmente em 3% dos casos de assassinato, segundo pesquisas do CPJ.


O assassinato é a forma mais extrema de censura e a morte de um jornalista é um ataque direto ao direito à informação. Acontece que os grandes problemas do mundo, como a questão ambiental ou a luta contra o extremismo, não terão solução sem o trabalho dos jornalistas.


Uma coalizão internacional composta por inúmeras mídias, jornalistas, ONGs e personalidades públicas apoia a campanha lançada pela RSF a favor da criação de um cargo de protetor dos jornalistas na ONU. Entre as 120 organizações que se uniram à coalizão até o momento, destacam-se o CPJ, a Associated Press, a WAN-IFRA, a Anistia Internacional, a Human Rights Watch, o Bangkok Post e a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji).


Esta semana, vários membros da coalizão - entre os quais a James W. Foley Legacy Foundation, o Centro Sírio para as Mídias e a Liberdade de Expressão e a Organização para a Defesa da Liberdade de Imprensa do Paquistão - enviaram cartas ao secretário geral Antonio Guterres em apoio à criação de um Representante Especial.