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27 Agosto 2009 - Atualizado a 16 Outubro 2016

O assassino do jornalista Carlos Cardoso novamente atrás das grades


Repórteres sem Fronteiras expressa o seu alívio após o anúncio da detenção de Aníbal dos Santos Júnior, conhecido como “Anibalzinho”, a 21 de Agosto de 2009, em Joanesburgo, na África do Sul. Condenado a trinta anos de cadeia, o assassino do jornalista de investigação Carlos Cardoso, falecido em Novembro de 2000, havia fugido da prisão de alta segurança de Maputo na manhã do dia 7 de Dezembro de 2008.

“Estamos satisfeitos por saber que a polícia moçambicana conseguiu finalmente capturar o assassino, graças a uma acção conjunta com a Interpol. É indispensável que “Anibalzinho” cumpra a sua pena até ao fim para que seja feita justiça. Pedimos às autoridades que apliquem a máxima vigilância a este homem, que já se evadiu em mais de uma ocasião”, declarou a organização.

Aníbal dos Santos Júnior foi detido pela polícia sul-africana, no seu domicílio de Joanesburgo, por volta das 19 horas de sexta-feira, dia 21 de Agosto. Foi seguidamente conduzido à prisão de alta segurança de Pretória, onde permaneceu durante cinco dias. A polícia moçambicana, que dirigia a investigação em colaboração com a Interpol, deslocou-se a Pretória, no dia 25 de Agosto, a fim de tratar da sua extradição para a prisão de Maputo.

A fuga de Aníbal dos Santos Júnior durou mais de 9 meses. Na manhã do passado dia 7 de Dezembro, conseguira escapar da sua cela, graças à cumplicidade de um ou mais guardas prisionais, e pusera-se em fuga juntamente com mais dois reclusos. Pedro Cossa, porta-voz das forças de segurança moçambicanas, declarou que na África do Sul “Anibalzinho” vivia sob o nome falso de Maurício Alexandre Mula.

O criminoso já se tinha evadido pela primeira vez em Setembro de 2002, antes de ser detido em Pretória, cinco meses depois. A 10 de Maio de 2004, pusera-se novamente em fuga, mas fora detido pela Interpol à sua chegada ao aeroporto internacional de Toronto. No dia 20 de Janeiro de 2006, “Anibalzinho” foi oficialmente reconhecido como o chefe do comando que executou Carlos Cardoso.

Este último, director do diário Metical, foi assassinado a 22 de Novembro de 2000, na Avenida Mártires de Machava, em Maputo. O jornalista encontrava-se no seu automóvel acompanhado pelo motorista quando dois indivíduos se atravessaram à sua frente e abriram fogo. Atingido na cabeça por várias balas, Carlos Cardoso teve morte imediata. Antes de ser abatido, o jornalista investigava o maior escândalo financeiro do país desde a independência: o desvio de fundos na ordem dos 14 milhões de euros do Banco Comercial de Moçambique (BCM). Nos seus artigos, Carlos Cardoso acusara nomeadamente os irmãos Satar e Vicente Ramaya, três homens de negócios muito influentes.