Notícia

29 Julho 2020

Nicarágua: jornalista exilado volta a ser alvo de ameaças

Um jornalista investigativo nicaraguense no exílio foi novamente ameaçado por causa de seu trabalho. A Repórteres sem Fronteiras (RSF) denuncia o clima de ódio que assombra jornalistas abertamente críticos ao governo de Daniel Ortega.

"Se você continuar a dizer asneiras, vamos cortar a sua língua." Como se já não fosse suficientemente ameaçadora, a carta anônima endereçada ao jornalista Gerall Chávez, exilado na Costa Rica, chegou acompanhada de um terrível vídeo simulando a sua decapitação. O texto, tornado público pelo jornalista no dia 25 de julho em sua conta no Twitter, também menciona mutilação e assassinato de familiares de Chávez, que ainda vivem na Nicarágua.  


Gerall Chávez, que trabalhava para a Vos TV, deixou o país no final de 2018, alguns dias depois da prisão de seus colegas Miguel Mora e Lucia Pineda Ubau. Alvo de ameaças constantes e de campanhas de difamação orquestradas por apoiadores do presidente Daniel Ortega, Gerall viu-se obrigado ao exílio na Costa Rica, assim como inúmeros outros jornalistas vítimas de uma forte repressão governamental. Lá, fundou o site de notícias Nicaragua Actual, por meio do qual continua a cumprir com a missão de informar sobre a situação do país, documentando, especialmente, a situação dos exilados. 


"As novas ameaças contra Gerall Chávez são extremamente graves e demonstram que os jornalistas que criticam abertamente o governo de Daniel Ortega continuam a ser vistos como inimigos públicos, declarou Emmanuel Colombié, diretor do escritório da RSF para a América Latina. "Queremos lembrar que o Estado nicaraguense tem a obrigação de proteger os jornalistas ameaçados devido à sua atividade profissional, assim como suas famílias." 


Infelizmente, o caso de Gerall Chávez não é isolado. No dia 27 de julho, o Movimento dos Jornalistas Independentes da Nicarágua (PCIN) publicou um relatório com registros de 351 casos de abusos contra a imprensa ocorridos entre 1o de março e 25 de julho de 2020 - incluindo agressões físicas, ameaças, casos de assédio, campanhas de difamação e procedimentos judiciais injustificados. 


A Nicarágua ocupa o 117o lugar entre 180 países no Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa de 2020, estabelecido pela RSF.