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16 Dezembro 2008 - Atualizado a 16 Outubro 2016

Evadido da prisão, o assassino de Carlos Cardoso continua a monte


Comunicado em português

Ao contrário das informações divulgadas pela polícia moçambicana, Aníbal António dos Santos Júnior, conhecido como “Anibalzinho”, não foi capturado após a sua terceira fuga de prisão, no dia 7 de Dezembro de 2007.

“Desejamos expressar a nossa incompreensão e preocupação: como é possível que um preso se possa evadir três vezes? “Anibalzinho” deve ser detido rapidamente e obrigado a cumprir a sua pena. Além disso, os seus cúmplices têm que ser identificados e castigados”, declarou Repórteres sem Fronteiras.

“Anibalzinho” escapou da prisão de Maputo, na manhã de 7 de Dezembro, graças à conivência de vários guardas penitenciários, e pôs-se em fuga na companhia de dois outros reclusos. O criminoso já se tinha evadido uma primeira vez em Setembro de 2002, antes de ser localizado cinco meses depois, em Pretória, na África do Sul. Uma segunda evasão, a 10 de Maio de 2004, terminara com a sua detenção no aeroporto internacional de Toronto.

No dia 20 de Janeiro de 2006, “Anibalzinho” fora oficialmente identificado como o cérebro do grupo responsável pelo assassínio de Carlos Cardoso e sentenciado a 30 anos de prisão efectiva.

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09.12 - O assassino do jornalista Carlos Cardoso detido após ter-se evadido da prisão pela terceira vez

Repórteres sem Fronteiras está aliviada por saber que Aníbal António dos Santos Júnior, conhecido como “Anibalzinho”, foi capturado, no dia 8 de Dezembro de 2008, trinta e seis horas depois de se ter evadido da prisão de alta segurança de Maputo. Condenado a uma pena de trinta anos de prisão efectiva pelo assassínio do jornalista de investigação Carlos Cardoso em Novembro de 2000, o criminoso já havia conseguido escapar em outras duas ocasiões da mesma prisão.

“Para a família de Carlos Cardoso, é fundamental que o condenado cumpra a sua pena até ao fim. No entanto, esta é a terceira vez que “Anibalzinho” consegue evadir-se beneficiando de cumplicidades no seio das autoridades penitenciárias. Os responsáveis moçambicanos devem encarar esta evasão com seriedade e fazer o possível para punir os cúmplices de “Anibalzinho”. Só isso poderá evitar que este infeliz incidente se repita”, declarou a organização.

Aníbal António dos Santos Júnior (“Anibalzinho”) foi detido pela polícia moçambicana na noite do dia 8 de Dezembro, perto de Namaacha (75 quilómetros a oeste de Maputo, junto à fronteira com a Suazilândia). Após se ter evadido, na manhã do dia 7, graças à cumplicidade de um ou mais guardas da prisão, “Anibalzinho” tinha-se posto em fuga, acompanhado por outros dois presos.

O criminoso fugira pela primeira vez em Setembro de 2002, antes de ser localizado cinco meses depois, em Pretória, na África do Sul. A segunda evasão dera-se a 10 de Maio de 2004, e terminou com a sua detenção pela Interpol no Aeroporto Internacional de Toronto. No dia 20 de Janeiro de 2006, “Anibalzinho” fora oficialmente reconhecido como o chefe do grupo responsável pelo assassínio de Carlos Cardoso e condenado a 30 anos de prisão efectiva.

Carlos Cardoso, director do diário Metical, foi abatido a 22 de Novembro de 2000, na Avenida Mártires de Machava, em Maputo. O jornalista encontrava-se no seu automóvel acompanhado pelo motorista quando dois indivíduos se atravessaram à sua frente e abriram fogo. Atingido na cabeça por várias balas, Carlos Cardoso teve morte imediata. Antes de ser assassinado, o jornalista realizava uma investigação sobre o maior escândalo financeiro do país desde a independência: o desvio de fundos na ordem dos 14 milhões de euros do Banco Comercial de Moçambique (BCM). Nos seus artigos, Carlos Cardoso acusara nomeadamente os irmãos Satar e Vicente Ramaya, três homens de negócios muito influentes.