Notícia

10 Novembro 2020

Estados Unidos: a RSF pede ao presidente eleito Biden que se comprometa imediatamente com a liberdade de imprensa

Com a vitória de Joe Biden na corrida para a Casa Branca, a Repórteres sem Fronteiras (RSF) apela ao próximo presidente dos EUA para que tome medidas imediatas de reparação aos grandes danos causados à liberdade de imprensa durante os anos Trump.

Após uma eleição histórica, a RSF pede ao presidente eleito Joe Biden que tome imediatamente uma posição para proteger a liberdade de imprensa e promover a segurança dos jornalistas, tanto dentro dos Estados Unidos quanto além das suas fronteiras, apoiando o Pacto pela Liberdade de Imprensa. Após quatro anos de constante deterioração das condições de trabalho para os jornalistas no país, a hostilidade direcionada à mídia nunca foi tão forte como neste contexto eleitoral, marcado por inúmeros casos de agressão e violência. Para lidar com essa tendência preocupante, a RSF instou candidatos de todos os partidos a se comprometerem com a proteção da liberdade de imprensa. Um chamado ao qual dezenas de líderes políticos já aderiram.

 

"O mundo inteiro observará atentamente as primeiras ações do presidente eleito Biden e nós o exortamos a aproveitar esta oportunidade para defender a liberdade de imprensa", afirmou o secretário-geral da RSF, Christophe Deloire. Nunca foi tão crucial que lideranças reagissem às deteriorações sofridas pela liberdade de imprensa nos Estados Unidos. Isso começa ao se deixar claro que a violência e os ataques à mídia não serão mais tolerados. Também significa tomar medidas para restaurar as salvaguardas da liberdade de imprensa, que são de vital importância para a democracia americana."

 

Depois de compartilhar enormes preocupações com a liberdade de imprensa durante a campanha presidencial de Donald Trump, quando as eleições de novembro de 2016 se definiram, a RSF apelou ao presidente Trump para que respeitasse a liberdade de imprensa durante seu mandato. Em vez disso, ele usou sua função para atacar jornalistas, espalhar desinformação e, gradualmente, erodir a posição de liderança dos Estados Unidos em matéria de liberdade de imprensa, o que enfraqueceu as proteções a favor da liberdade de imprensa globalmente.

 

A retórica hostil de Trump em relação à imprensa - rotulada por ele como “inimiga do povo” - alimentou um verdadeiro clima de violência contra jornalistas. A tal ponto que, em junho de 2018, um homem abriu fogo na redação do Capital Gazette, no estado de Maryland, matando cinco pessoas, incluindo quatro jornalistas, e ferindo outras duas.

 

Neste ano, a situação continuou a piorar. Por todo o país, jornalistas enfrentaram uma onda de agressões e violência enquanto cobriam os protestos do Black Lives Matter. O Observatório da Liberdade de Imprensa dos Estados Unidos, do qual a RSF é parceira, identificou mais de 880 ataques contra a imprensa somente em 2020. Nada menos do que 37 incidentes contra jornalistas foram registrados durante a cobertura destas eleições.

 

Os Estados Unidos ocupam a 45a posição entre 180 países no Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa estabelecido pela RSF em 2020.