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17 Fevereiro 2014 - Atualizado a 16 Outubro 2016

Dois jornalistas abatidos em quatro dias


Repórteres sem Fronteiras expressa sua consternação na sequência dos assassinatos dos jornalistas Pedro Palma, diretor do semanário local Panorama Regional, e José Lacerda da Silva, cinegrafista do programa “TCM” do canal regional TV Cabo Mossoró. Ambos foram abatidos a tiro na via pública.

José Lacerda da Silva foi alvejado em Mossoró (Rio Grande do Norte), na noite de 16 de fevereiro de 2014, quando se deslocava a um supermercado. Atingido por dois indivíduos a bordo de um automóvel, o jornalista ainda foi conduzido a um hospital, onde sucumbiu aos ferimentos. Até ao momento, a investigação policial ainda não encontrou nenhum pista sobre possíveis motivações ou suspeitos.

Três dias antes, dois homens em uma moto haviam executado Pedro Palma à porta de sua residência, em Miguel Pereira, nos arredores do Rio de Janeiro. Distribuído na periferia da metrópole, seu jornal tinha como principais temas de investigação os casos de corrupção das prefeituras da região.

“Solicitamos às autoridades brasileiras que façam tudo o que esteja ao seu alcance para identificar e julgar os autores e mandantes desses dois homicídios. Ambos assassinatos representam mais uma triste demonstração da insegurança que afeta a profissão. Recordemos que foram cinco os jornalistas mortos no exercício de suas funções em 2013, e que nenhum desses crimes foi até ao momento elucidado. Essa impunidade persistente torna o Brasil um dos maus alunos do continente americano, situado na 111ª posição na Classificação Mundial 2014 da liberdade de imprensa”, declara Camille Soulier, responsável pela seção Américas de Repórteres sem Fronteiras.

De acordo com a tese explorada pela polícia, a motivação do assassinato de Pedro Palma seria a “eliminação de testemunha”. Um conduta funesta que já fora evocada na investigação sobre o homicídio de Walgney Assis Carvalho, a 13 de abril de 2013. Os atores da informação brasileiros, quer investiguem sobre a corrupção ou cubram manifestações, são cada vez mais vítimas de violência. A 11 de fevereiro de 2014, o jornalista Santiago Elídio Andrade faleceu devido aos ferimentos sofridos durante a cobertura do amplo movimento social iniciado em junho de 2013.