Notícia

30 Abril 2020

Coronavírus: a RSF pede vigilância diante das informações falsas difundidas pela China

A Repórteres sem Fronteiras (RSF) pede vigilância com relação às informações falsas divulgadas pelo regime de Pequim, que realiza uma verdadeira campanha mundial de desinformação sobre o coronavírus.

Desde o início da epidemia de coronavírus, que já matou cerca de 150 mil e infectou mais de dois milhões de pessoas, o regime de Pequim está envolvido em uma verdadeira campanha global de desinformação, com intuito de calar as críticas que denunciam sua responsabilidade na disseminação do vírus devido à sua política de censura que atrasou a implementação de medidas sanitárias. Segundo autoridades chinesas, o coronavírus teria sido "importado para Wuhan pelo exército dos EUA" ou teria "circulado na Itália antes que os médicos descobrissem a epidemia na China". Todas essas acusações não são respaldadas por nenhum fato.


A Repórteres sem Fronteiras (RSF) pede vigilância com relação às informações falsas difundidas pelo regime de Pequim, cujo aparato internacional de propaganda está se fortalecendo a cada dia, como mostra o relatório "A nova ordem mundial da informação segundo a China", publicado em 2019.


"Sob o pretexto de "restabelecer a verdade" sobre o coronavírus, Pequim destila uma enxurrada de mentiras e aproximações com o propósito de desacreditar o trabalho dos jornalistas e semear dúvidas sobre a veracidade dos fatos que relatam" indigna-se Cédric Alviani, diretor do escritório da Repórteres sem Fronteiras (RSF) para a Ásia Oriental. "É vital que o público não se deixe enganar pela propaganda chinesa e privilegie as informações oriundas de meios de comunicação que respeitem os princípios jornalísticos."


Em 14 de abril, o embaixador chinês na França, Lu Shaye, foi convocado pelo Ministério das Relações Exteriores francês após divulgar na página de sua missão na França e na rede social Twitter informações falsas questionando os profissionais de saúde e uma coalizão de parlamentares franceses. Em 13 de março, Washington também teve que pedir explicações depois de dois altos funcionários do Ministério das Relações Exteriores da China, Zhao Linjian e Hua Chunying, sugerirem que o vírus teria vindo dos Estados Unidos.


No final de março, a rede de televisão internacional China Global Television Network (CGTN), controlada pelo Partido Comunista Chinês, distorceu declarações feitas pelo diretor de um instituto de pesquisas farmacológicas italiano, Giuseppe Remuzzi, para fazê-lo dizer que a epidemia de coronavírus havia se iniciado na Itália um mês antes de seu surgimento na China.


Ao mesmo tempo, os embaixadores chineses e o jornal propagandista Global Times embarcaram em uma verdadeira cruzada contra os jornalistas ocidentais,  acusando os  de "mentir" sistematicamente para atribuir à China a responsabilidade pela pandemia.


A China está entre as últimas posições no Ranking Mundial de Liberdade de Imprensa da RSF de 2019, ocupando o 177º lugar de 180.