Notícia

8 Abril 2020

Coronavírus: no momento em que o Japão declara estado de urgência, a RSF se preocupa com a liberdade de imprensa

PHOTO: PHILIP FONG / AFP
A Repórteres sem Fronteiras (RSF) pede ao governo japonês que exclua os meios de comunicação da lista de empresas e associações passíveis de receber suas instruções devido ao estado de urgência e faz um apelo pela revisão da lei para garantir a liberdade de imprensa em qualquer circunstância.


No contexto da luta contra a pandemia de coronavírus, o governo japonês declarou hoje estado de emergência em grande parte de seu território, ativando assim a lei de medidas especiais, que o autoriza a dar "instruções" a um determinado número de empresas e associações listadas em seu site, incluindo o grupo estatal de rádio e televisão NHK. Muitas vozes expressaram preocupação com a redação ambígua dessa lei e o risco de que seja entendida como uma licença para restringir a independência dos meios de comunicação.

 

A Repórteres sem Fronteiras (RSF) exorta o Primeiro Ministro Shinzo Abe a retirar a NHK da lista e garantir que nenhum outro veículo de comunicação seja adicionado a ela. A RSF também pede aos parlamentares japoneses que alterem a regulamentação o mais rápido possível, para que respeite plenamente o princípio da liberdade de imprensa estabelecido na constituição japonesa e na Lei de Radiodifusão Japonesa.

 

"Em tempos de crise sanitária, o público tem uma necessidade vital de informações independentes sobre as medidas adotadas pelas autoridades públicas e as ações recomendadas para limitar a epidemia, insiste Cédric Alviani, diretor do escritório para a Ásia Oriental da Repórteres sem Fronteiras (RSF), que pede ao governo japonês que “preserve a independência dos meios de comunicação e aja com a máxima transparência. "

 

Em 15 de março, o Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar do Japão pediu desculpas depois de postar conteúdo impreciso na rede social Twitter, destinado a desacreditar uma reportagem sobre o coronavírus veiculada pela TV Asahi

 

Desde que o nacionalista Shinzo Abe assumiu o poder em 2012 como primeiro-ministro, os jornalistas se queixam da desconfiança e hostilidade das quais são alvo, com as autoridades repetidamente tentando prejudicar a independência editorial de certos meios de comunicação. 

 

Em 2017, o relator especial das Nações Unidas para a liberdade de expressão, David Kaye, expressou sua preocupação com relação à liberdade de imprensa no Japão e observou um novo agravamento da situação no ano passado.

 

O Japão ocupa o 67º lugar de 180 no Ranking Mundial de Liberdade de Imprensa da RSF 2019.