Notícia

9 Setembro 2020

Caso Khashoggi: “um julgamento sem público ou jornalistas que não permite saber a verdade”

A justiça saudita condenou oito pessoas a penas que variam de 7 a 20 anos de prisão pelo assassinato do jornalista Jamal Khashoggi. Para a Repórteres sem Fronteiras (RSF), somente uma investigação internacional independente permitirá que seja feita justiça.

A condenação foi reduzida em segunda. Oito réus foram condenados a um total de 124 anos de prisão, segundo a emissora saudita Al Arabiya, que cita o Procurador-Geral. As cinco pessoas que foram condenadas à morte em primeira instância acabaram pegando 20 anos de prisão. Os outros réus foram condenados a penas de 7 a 10 anos de prisão. Em primeira instância, os cinco primeiros haviam sido condenados à morte. Como na primeira instância, a justiça concluiu que não houve premeditação. 

 

O total de 124 anos de prisão para os assassinos de Jamal Khashoggi dá a impressão de que a justiça foi administrada de maneira adequada,afirmou Christophe Deloire, secretário-geral da RSF.Mas não esqueçamos que o julgamento foi realizado a portas fechadas e, portanto, não respeitou os princípios elementares de justiça. Esse julgamento sem público ou jornalistas não permitiu saber a verdade e entender o que aconteceu em 2 de outubro de 2018, no consulado saudita em Istambul, e quem foi o mandante deste crime de Estado. Com a declaração de ausência de premeditação, somos obrigados a crer na hipótese acidental, apesar de muitos elementos provarem o contrário. É com satisfação, contudo, que observamos o abandono da pena de morte que havia sido pronunciada contra alguns acusados.”

 

“Acreditamos que somente uma investigação internacional independente sob os auspícios da ONU permitirá que a justiça seja feita”, conclui Christophe Deloire.

 

Onze acusados estavam originalmente entre os réus e três haviam sido absolvidos. Ao final do primeiro veredito, em dezembro de 2019, nenhuma acusação foi feita contra o assessor do príncipe herdeiro Mohamed Ben Salman (MBS), oficialmente, por falta de provas, nem contra o número 2 da inteligência, general Al-Assiri, suspeito de ter supervisionado o assassinato.

 

A Turquia, onde o jornalista foi assassinado, abriu, por sua vez, um inquérito próprio, em julho. A RSF apresentou-se como parte civil para assistir às audiências. 

 

A Arábia Saudita ocupa o 170º lugar no Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa estabelecido pela RSF.