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23 Agosto 2016 - Atualizado a 3 Novembro 2016

Brasil: Quarto jornalista assassinado em 2016

Source: Facebook
A Repórteres sem Fronteiras lamenta o assassinato do jornalista Maurício Campos Rosa, morto no dia 17 de agosto de 2016, em Santa Luzia (MG). As autoridades locais devem agir com rapidez para identificar e julgar os responsáveis, sem que nenhuma pista sobre o que teria motivado o crime seja previamente afastada.

O jornalista Maurício Campos Rosa, 64 anos, foi assassinado na noite do dia 17 de agosto, no município de Santa Luzia (MG), 18 km ao norte de Belo Horizonte. Ele foi atingido por cinco tiros de pistola quando saía da casa de um amigo. Maurício foi levado ainda com vida ao hospital, mas não resistiu aos ferimentos.


Ele era jornalista e diretor do jornal O Grito, de circulação gratuita e distribuído em Santa Luzia há mais de 20 anos. A publicação vinha registrando o envolvimento irregular de vereadores com uma cooperativa de coleta de lixo. Maurício, que também colaborava com o grupo Diários Associados, já é o quarto jornalista assassinado no país desde o começo do ano, após as mortes de João Miranda do Carmo, Manoel Messias Pereira e João Valdecir de Borba.


"Quantos jornalistas assassinados são necessários para que as autoridades comecem a combater de forma mais sistemática o problema da violência contra os comunicadores no país?”, questionou Emmanuel Colombié, diretor do escritório para a América Latina da Repórteres sem Fronteiras. “ A justiça deve agir com rapidez para identificar os responsáveis desse ato covarde. Com o assassinato de Maurício é mais uma voz de um meio de comunicação independente que se apaga. Sua morte não deve cair no esquecimento, nem permanecer impune, como é infelizmente a regra para grande parte de casos semelhantes na América Latina"


Até o momento, nenhum comentário foi emitido pelas autoridades locais de Santa Luzia. Uma investigação foi aberta pela Polícia Civil, que por ora afirma não afastar nenhuma pista de investigação sobre o que teria motivado o crime. A RSF se junta ao Sindicato de Jornalistas Profissionais de Minas Gerais (SJPMG) para exigir uma investigação rápida e imparcial para que os responsáveis sejam identificados e o crime não permaneça impune.

Aproveitando a visibilidade das Olimpíadas, a RSF lançou na véspera do início dos Jogos Rio 2016uma campanha para denunciar a violência contra os comunicadores no Brasil. O assassinato de Maurício Campos Rosa confirma a urgência de medidas e propostas concretas que devem ser apresentadas pelo governo para garantir a segurança dos jornalistas no país e lutar contra a impunidade.


O Brasil ocupa a 104a posição entre 180 países no Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa de 2016 elaborado pela RSF.