Notícia

12 Agosto 2002 - Atualizado a 16 Outubro 2016

Assassinato de Tim Lopes: um suspeito morto, cinco outros sob prisão preventiva (versão portuguesa)


O 5 de julho, a polícia de Rio de Janeiro anunciou que, segundo um teste de ADN, as ossadas humanas encontradas num cemitério clandestino da Favela da Grota eram realmente as do jornalista que fazia investigações acerca de tráfico de drogas e prostituição infantil.

No dia 8 de agosto, Maurício de Lima Matias, um dos suspeitos do assassinato de Tim Lopes, foi morto por um tiro quando a polícia tentava prendê-lo no subúrbio de Vigário Geral, zona norte do Rio, onde estava escondido. Ele tinha sido denunciado por outros suspeitos como um dos participantes do assassinato do jornalista e era uma das quatro pessoas procuradas pela polícia. De acordo com o jornal O Globo, a prisão preventiva dos cinco suspeitos do crime foi decretada por um juiz. Os suspeitos são Elizeu Felício de Souza (o "Zeu"), Angelo Ferreira da Silva ("o Primo"), Reinaldo Amaral de Jesus ("Kadê" ou "Cabê"), Fernando Sátyro da Silva (o "Frei") e Claudino dos Santos Coelho (o "Xuxa"). A decisão foi tomada por solicitação das duas promotoras encarregadas do dossiê, Viviane Tavares Henriques e Patrícia Mothé Glioche, para evitar que os suspeitos fossem postos em liberdade. Os cinco homens são acusados de "roubo", "tráfico de drogas", "homicídios" e "ocultação de cadáver". Três outros suspeitos continuam foragidos.

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08.07.2002 - O assassinato de Tim Lopes confirmado por um teste de ADN

No dia 7 de julho, restos mortais do jornalista Tim Lopes (foto) foram enterrados no cemitério "Jardim da Saudade", situado na zona oeste do Rio de Janeiro. Dois dias antes, a polícia da cidade havia anunciado que, segundo o teste de ADN realizado por um laboratório da Universidade Federal do Rio de Janeiro, as ossadas humanas encontradas num cemitério clandestino da Favela da Grota eram realmente as do jornalista. De acordo com Zaqueu Teixeira, chefe da Polícia Civil do Rio, dos quarenta e um fragmentos de ossos entregues ao laboratório, uma vértebra do jornalista pôde ser identificada. Essa identificação foi confirmada através da comparação do ADN das ossadas encontradas com o da mãe e o do filho do jornalista. Teixeira anunciou que, agora, a busca aos autores do crime e, especialmente, a de Elias Pereira da Silva, o suposto mandante, iria se intensificar.

Situado na Favela de Vila Cruzeiro, onde Tim Lopes fazia investigações acerca de tráfico de entorpecentes e prostituição infantil equipado com uma micro-câmera, o cemitério clandestino encontrado pela polícia, após várias semanas de busca, continha ossadas de outras prováveis vítimas de traficantes de drogas. Objetos pessoais do jornalista – micro-câmera, relógio, corrente de ouro – foram encontrados no local e identificados pela família e pelo canal de televisão para o qual o jornalista trabalhava.

Segundo as informações divulgadas pela imprensa local, oito pessoas teriam participado do assassinato do jornalista. Hoje, quatro delas já estão presas, dentre as quais Ângelo Ferreira da Silva e Elizeu Felício de Souza. Estes últimos descreveram as circunstâncias em que Tim Lopes havia assistido ao próprio "processo", liderado por Elias Pereira da Silva, antes de ser executado e, em seguida, queimado. Os outros quatro - Elias Pereira da Silva, André da Cruz Barbosa, Maurício de Lima Bastos e Renato Souza Lopes – ainda não foram encontrados.

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10.06.2002 – Confirmação do assassinato do jornalista da TV Globo desaparecido em 2 de junho

Dia 9 de junho, a Governadora do Estado do Rio de Janeiro, Benedita da Silva, confirmou a morte de Tim Lopes, da TV Globo, que havia desaparecido na madrugada de 2 a 3 de junho, quando realizava investigações sobre o tráfico de drogas em Vila do Cruzeiro, favela da periferia do Rio de Janeiro. No depoimento dado à GloboNews, canal de informações a cabo, Benedita da Silva confirmou o assassinato do jornalista e afirmou que a polícia do Rio de Janeiro continuará a fazer investigações até que o crime seja esclarecido.

Essas declarações foram feitas logo após a prisão de dois delinqüentes no mesmo dia, em Vila do Cruzeiro. Estes últimos declararam que o jornalista havia sido assassinado a golpes de espada pelo "barão" local da droga, Elias Pereira da Silva, mais conhecido como "Elias Maluco". Segundo o chefe da Polícia Civil, Zaqueu Teixeira, o corpo do jornalista teria sido queimado logo a seguir. No dia 5 de junho, Daniel Gomes, o delegado encarregado do crime, tinha levado ao conhecimento público que as ossadas humanas cremadas, encontradas logo após o desaparecimento de Tim Lopes, e que estão sendo analisadas atualmente, eram "muito provavelmente" as do jornalista.

De acordo com o Jornal do Brasil, Tim Lopes teria sofrido ameaças após a difusão, em agosto de 2001, de uma série de reportagens-denúncia sobre o narcotráfico na periferia do Rio de Janeiro. Segundo o jornal O Estado de São Paulo, Cristina Guimarães, co-produtora das reportagens, também tinha sido ameaçada, em setembro de 2001, razão pela qual foi obrigada a deixar o Estado do Rio de Janeiro.

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04.06.2002 - Desaparecimento de um jornalista que investigava sobre as atividades de traficantes de drogas

Repórteres sem Fronteiras manifestou sua preocupação com o desaparecimento de Tim Lopes, da TV Globo, durante um trabalho de investigação em uma favela do subúrbio do Rio de Janeiro. Restos humanos descobertos pela polícia, que talvez sejam do jornalista, estão sendo atualmente analisados. "As circunstâncias desse desaparecimento devem ser totalmente esclarecidas", declarou Robert Ménard, Secretário Geral de Repórteres sem Fronteiras. Em carta endereçada ao delegado Sérgio Falante, da 22a delegacia de polícia de Vila da Penha, responsável pela investigação do caso, a organização solicitou ser informada sobre o resultado das investigações.

De acordo com as informações obtidas por Repórteres sem Fronteiras, Tim Lopes, da TV Globo, desapareceu na noite de 2 de junho, quando preparava uma reportagem sobre as atividades dos traficantes de droga em Vila do Cruzeiro, no subúrbio de Vila da Penha (norte do Rio de Janeiro). Segundo a agência brasileira Estado, a polícia encontrou restos humanos carbonizados em um fosso de Vila do Cruzeiro. Os restos, que poderiam ser do jornalista, foram imediatamente encaminhados a um laboratório para que fosse efetuada uma análise de ADN. Os resultados deverão ser divulgados dentro de uma semana.

Tim Lopes foi até Vila do Cruzeiro para investigar denúncias feitas por moradores de Vila da Penha à TV Globo. Os moradores relataram a existência de festas promovidas por traficantes, durante as quais esses marginais atraíam novos clientes e cometiam abusos sexuais contra menores. Vila do Cruzeiro é uma das favelas do Complexo do Alemão, subúrbio carente do Rio de Janeiro, que se encontra nas mãos de traficantes de droga.

Em agosto de 2001, Tim Lopes tinha realizado uma série de três reportagens, "A Feira das Drogas", que recebeu o prêmio Esso Especial de Telejornalismo. As imagens, filmadas com uma câmera oculta, mostravam jovens oferecendo drogas aos transeuntes, em plena luz do dia, em uma das favelas do Complexo do Alemão. A polícia militar havia reforçado sua presença na região depois da difusão das reportagens na TV Globo.