Notícia

2 Maio 2019

9% da população mundial vive em países onde a liberdade de imprensa é considerada satisfatória

Por ocasião do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, a Repórteres sem Fronteiras (RSF) observa que menos de 10% da população mundial vive hoje em países onde os jornalistas podem exercer sua profissão em um ambiente favorável e com boas condições de liberdade e de independência.

Apenas 9% da humanidade vive em países onde a situação da liberdade de imprensa é considerada pela RSF como boa ou muito boa, ou seja, países destacados em branco ou amarelo no mapa da liberdade de imprensa, elaborado com base no Ranking Mundial de 2019 publicado pela RSF em 18 de abril. Setenta e quatro por cento da população mundial vive em países onde a situação da liberdade de imprensa é considerada difícil ou muito grave, ou seja, amplamente reprimida, como na China, na Rússia, na Arábia Saudita, mas também em democracias como o México ou a Índia. Incluindo os países, onde a situação é classificada como problemática, como a Mauritânia e a Hungria, esse número sobe para 91%. 


"Nenhum dos grandes problemas da humanidade pode ser resolvido sem informação livre, independente e confiável, ou seja, sem jornalismo de qualidade, quer se trate do aquecimento global, da corrupção, ou da igualdade entre mulheres e homens, declarou Christophe Deloire, Secretário Geral da RSF, por ocasião do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa. Trata-se de uma situação muito preocupante para os jornalistas, mas, sobretudo, para todos os indivíduos, privados de seu direito à informação.".  


Esses números, que levam em conta os dados demográficos do Banco Mundial e os indicadores da edição de 2019 do Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa da RSF, se refletem no mapa da liberdade de imprensa, cada vez mais sombrio. Em cinco anos, o índice global da liberdade de imprensa caiu 11%.


Esses resultados ruins também podem ser explicados pelo peso demográfico de alguns países que ocupam os piores lugares no Ranking da RSF. A Índia, em 140º lugar, e a China, em 177º, representam juntas mais de 2,7 bilhões de pessoas, enquanto a população do país mais bem colocado, a Noruega, compreende apenas 5,2 milhões de pessoas.


Ao mesmo tempo, países com altas densidades populacionais também passaram por mudanças democráticas significativas em 2018, o que resultou em altas significativas no Ranking de 2019. Este é, particularmente, o caso da Etiópia (110º) e de seus 100 milhões de habitantes, que saltaram 40 posições, ou da Malásia (123º) e de seus 31,6 milhões de habitantes, que subiram 22 posições. 


Publicado todos anos desde 2002 por iniciativa da RSF, o Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa permite determinar a situação relativa de 180 países e territórios em termos de liberdade de informação.