França

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Violência recorrente contra jornalistas durante manifestações

A cobertura de manifestações tornou-se um exercício complicado para repórteres, confrontados com inúmeros casos de violência policial. Vários jornalistas foram feridos por tiros de balas de borracha, bombas de gás lacrimogêneo ou por golpes de cassetete. Outros foram alvo de prisões arbitrárias e tiveram seu material de reportagem confiscado. Parte desses incidentes ocorreu durante manifestações contra a proposta de lei relativa à segurança global. 

Os jornalistas investigativos também não estão imunes às pressões. Ao longo de 2020, pelo menos dois foram intimados pelo IGPN, o departamento de assuntos internos da polícia, no âmbito de investigações por "ocultação de violação do segredo profissional", recurso que coloca em risco o sigilo das fontes. A legislação que protege o sigilo das fontes permanece, por sinal, insuficiente. Uma lei de 2010 permite que se evoque um simples "imperativo preponderante de interesse público" para justificar a quebra do sigilo. Em 2016, o Conselho Constitucional anulou uma reforma positiva. 

A independência editorial permanece um ponto sensível, devido à concentração vertical dos meios de comunicação, ou seja, de sua integração com grupos que possuem interesses em outros setores da economia. Tal situação favorece os conflitos de interesse e alimenta a desconfiança. O clima geral é hostil aos jornalistas, sobretudo nas redes sociais, ainda que os ataques verbais por parte dos políticos pareçam ter se atenuado. Será preciso ser vigilante diante da perspectiva de eleições presidenciais em 2022.

Um ataque a facadas em frente à antiga sede da revista satírica Charlie Hebdo em setembro de 2020, o assassinato do professor Samuel Paty no mês seguinte e o julgamento histórico dos acusados no ataque mortal ao Charlie Hebdo em 2015 trouxeram de volta ao primeiro plano os debates sobre liberdade de expressão e intolerância religiosa. 

As longas penas de prisão proferidas pelo tribunal no final deste julgamento têm um valor exemplar inquestionável.

34
na Classificação Mundial da Liberdade de Imprensa 2021

Posição

0

34 em 2020

Pontuação global

-0.32

22.92 em 2020

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