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24 Septiembre 2013 - Actualizado el 16 Octubre 2016

Três jornalistas detidos, um jornalista de investigação acossado pelas autoridades


Três jornalistas foram detidos pela polícia depois de terem entrevistado um grupo de jovens manifestantes, em Luanda, a 20 de Setembro de 2013. Repórteres sem Fronteiras expressa a sua preocupação pelas reiteradas acções de intimidação contra jornalistas de investigação por parte das autoridades angolanas.

Alexandre Solombe Neto, presidente do Instituto da Comunicação Social da África Austral (Media Institute of Southern Africa – MISA) e vice-presidente do Sindicato dos Jornalistas Angolanos, Coque Mukuta, correspondente da Voice of America, e Rafael Marques, jornalista de investigação e activista anti-corrupção, foram detidos durante cinco horas, interrogados e maltratados pela polícia antes de ser libertados por decisão de um tribunal. Até ao momento, nem a polícia nem a justiça forneceram explicações sobre a detenção dos três jornalistas.

“A detenção destes três jornalistas, que não faziam mais do que o seu dever profissional, é inaceitável. Denunciamos especialmente a perseguição a Rafael Marques, que deverá cessar imediatamente, perseguição essa que delata o receio do governo angolano perante as revelações do jornalista. Juntamo-nos sem reservas aos protestos das organizações internacionais de defesa dos direitos humanos e solicitamos ao governo que respeite o trabalho dos jornalistas de investigação, que informam o povo angolano”, declarou Repórteres sem Fronteiras.

De acordo com o testemunho de Rafael Marques, os três jornalistas estavam a conversar com jovens manifestantes do Movimento Revolucionário de Angola que acabavam de ser postos em liberdade após terem sido detidos, a 19 de Setembro, por terem protestado contra as injustiças sociais e o autoritarismo do presidente José Eduardo dos Santos. O movimento, composto principalmente por estudantes e jovens profissionais, apela ao presidente para que deixe o poder e manifesta-se contra as expulsões forçadas, a destruição de casas e a violência policial. O presidente José Eduardo dos Santos, que foi recentemente reeleito para um novo mandato de cinco anos, está no poder há 34 anos.

A detenção de Rafael Marques é o mais recente capítulo do constante encarniçamento com que as autoridades pretendem silenciá-lo. Conhecido pelo seu blogue militante (http://makaangola.org/) e o seu livro publicado em 2011, Diamantes de Sangue: Corrupção e Tortura em Angola, o jornalista enfrenta actualmente onze queixas por difamação por parte de autoridades militares, governamentais e de grandes empresas angolanas, por ter revelado no seu livro as atrocidades cometidas pelos chefes da indústria do diamante em Angola.

A difamação é um delito em Angola e, de acordo com a lei de 2006, os jornalistas que criticam o governo arriscam-se a graves represálias. As autoridades aproveitam com regularidade a legislação em vigor para silenciar os jornalistas que denunciam práticas de corrupção no sector público ou privado.

Angola ocupa o 130º lugar, entre 179 países, na Classificação Mundial da Liberdade de Imprensa 2013, elaborada por Repórteres sem Fronteiras.