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3 Diciembre 2012 - Actualizado el 16 Octubre 2016

Ataque contra domicílio de jornalista, possivelmente relacionado com assassinato de colega


A residência de Antônio Fabiano Portilho Coene, de 34 anos, proprietário do site de informação Portal i9, foi alvo de um atentado na noite de dia 29 de novembro de 2012, em Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul. Dois desconhecidos abriram fogo contra a fachada da casa e lançaram um cocktail molotov que explodiu no quintal. Repórteres sem Fronteiras solicita uma proteção urgente para o jornalista.

Apesar de, felizmente, o atentado não ter causado nenhum ferido, uma mensagem escrita num martelo foi encontrada à entrada da casa: “Fabiano Carvalhinho o batido martelo”. Poderia se tratar de uma alusão ao jornalista Eduardo Carvalho, editor do site de informação Última Hora News (UHNews), assassinado oito dias antes. Fabiano Portilho Coene desconfia que o ataque ficou se deveu à publicação no Portal i9 de revelações sobre um caso de tráfico de influência, já publicadas por UHNews na véspera da morte de Eduardo Carvalho.

Repórteres sem Fronteiras pede que as circunstâncias deste atentado sejam totalmente esclarecidas, e relembra que as investigações sobre os assassinatos de Eduardo Carvalho e Paulo Rocaro – executado no passado dia 12 de fevereiro nessa mesma região de alto risco – não parecem estar produzindo resultados. A organização recorda também que onze jornalistas já foram assassinados no Brasil desde o início do ano, dos quais pelo menos cinco por motivos comprovadamente profissionais.

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23.11.12 - Editor ameaçado de morte por diversas vezes assassinado a tiros

Repórteres sem Fronteiras tomou conhecimento com grande consternação da morte do jornalista Eduardo Carvalho, editor do site Última Hora News, assassinado a tiros na noite de 21 de novembro de 2012 em Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul. Eduardo Carvalho vinha recebendo ameaças de morte desde o ano passado devido às suas reportagens que colocavam em causa políticos e policiais da região.

“Enviamos as nossas mais sinceras condolências à família e amigos de Eduardo Carvalho. Os autores desse crime não devem ficar impunes. Este novo assassinato eleva a 11 o número de jornalistas mortos no Brasil só no ano de 2012. Para três deles, a relação com suas atividades profissionais já foi comprovada. Para outros quatro, as investigações estão em curso. Neste Dia Mundial da Luta contra a Impunidade, pedimos às autoridades que investiguem esse caso com a máxima celeridade e seriedade possível, ainda para mais parecendo a pista profissional provável”, declarou a organização.

Eduardo Carvalho, ex-policial militar aposentado de 52 anos, que ocupava o cargo de editor do site de notícias Última Hora News, foi baleado por dois homens armados com revólveres que o esperavam em frente ao seu domicílio, em Campo Grande. O jornalista, que regressava a casa com sua esposa, sucumbiu aos ferimentos provocados por três balas. Os suspeitos fugiram em motocicleta.

Eduardo Carvalho já havia sobrevivido a um primeiro ataque, quando se encontrava num automóvel com sua filha. Por várias vezes tinha denunciado as ameaças de morte de que era vítima e afirmado que temia por sua vida. Por esse motivo, obtivera uma licença de porte de arma e uma autorização exclusiva para usar um colete à prova de balas do Exército. Infelizmente, não o levava vestido no momento do ataque.

Eduardo Carvalho lançara no site Última Hora News denúncias sobre vários políticos e policiais do Mato Grosso do Sul. No dia de seu assassinato, publicara um artigo alertando para os abusos de autoridade de um capitão da política militar. No dia 20 de novembro de 2012, o jornalista publicara na sua conta de Facebook um comentário no qual afirmava que, apesar das ameaças e perseguições de que era constantemente vítima, possuía “um baú cheio de novidades, cada uma mais escabrosa que a outra.”

Por agora, a polícia ainda não identificou nenhuma pista específica sobre suspeitos ou motivos do crime, apesar das ameaças recebidas desde 2011 e de uma extensa lista de pessoas denunciadas em seu site. Os investigadores reconhecem, no entanto, que o crime corresponde às características de um assassinato por encomenda.