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14 Febrero 2012 - Actualizado el 16 Octubre 2016

A pista profissional privilegiada pelos investigadores no assassinato do jornalista Paulo Roberto Cardoso Rodrigues


Os testemunhos recolhidos pela polícia junto da família e amigos do jornalista Paulo Roberto Cardoso Rodrigues, também conhecido como Paulo Rocaro, parecem confirmar a tese segundo a qual este teria sido morto devido às investigações que levava a cabo no Mato Grosso do Sul, região fronteiriça com o Paraguai sob controlo dos narcotraficantes.

O jornalista paraguaio e amigo do falecido, Cándido Figueredo, declarou à polícia que as reportagens de Paulo Rocaro estavam provavelmente incomodando os delinquentes da região. "Continuamos a trabalhar com a hipótese de execução, por conta das características do crime e das matérias de jornalismo investigativo na fronteira que ele escrevia", declarou o delegado responsável pelo caso, Odorico Mesquita.

A 20 de janeiro de 2012, a diretora-geral da UNESCO, Irina Bokova, condenou as violências cometidas contra os jornalistas brasileiros no âmbito de suas intervenções públicas por vezes arrojadas. "É essencial que os jornalistas possam continuar informando sem receios no que toca a suas vidas e à segurança de suas famílias", afirmou Irina Bokova. A este propósito, relembramos que o culpado pelo assassinato do jornalista Mário Randolfo Marques Lopes, morto no passado 9 de fevereiro, ainda não foi identificado.

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14.02.2012 - O assassinato do jornalista Paulo Rocaro confirma um início de ano desastroso para a imprensa

Editor-chefe do diário Jornal da Praça e diretor do site Mercosul News, Paulo Roberto Cardoso Rodrigues, conhecido como Paulo Rocaro, não sobreviveu ao atentado a tiros perpetrado por dois indivíduos circulando em moto, quando se dirigia de automóvel a Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul, a 12 de fevereiro de 2012. Visado por doze vezes e atingido por cinco balas, o jornalista faleceu no hospital na manhã seguinte. Tinha 51 anos.

Três dias após o assassinato de Mário Randolfo Marques Lopes no estado do Rio de Janeiro, esta nova tragédia vem comprovar um início de ano particularmente delicado para a profissão, pejado de ameaças, agressões e mesmo destruição de meios de comunicação.

“A morte de Paulo Rocaro eleva a três o total de jornalistas assassinados no Brasil em 2012, embora a pista profissional não pareça provável no assassinato, a 3 de janeiro, na Bahia, de Laércio de Souza. A violência registrada no começo desse ano confirma, infelizmente, uma tendência já assinalada na última classificação mundial da liberdade de imprensa publicada por Repórteres sem Fronteiras, na qual o Brasil surge na 99ª posição, após uma queda de 41 lugares. Haverá motivos para temer uma deriva à mexicana ou à colombiana? Nenhuma região do país é poupada por essa série trágica, que exige a implementação de programas de proteção e, a curto prazo, investigações policiais rigorosas. Nos dois últimos casos, a hipótese do ajuste de contas político deve ser explorada”, declarou a organização.

A insegurança é tradicionalmente elevada na região da fronteira com o Paraguai, refúgio dos cartéis da droga, onde trabalhava Paulo Rocaro. No entanto, e de acordo com uma fonte próxima da vítima contatada por Repórteres sem Fronteiras, o jornalista cobria sobretudo a vida política local, frequentemente caracterizada por irregularidades e práticas duvidosas. Por essa razão, a possibilidade de vingança política não pode ser excluída nesse caso, ponto culminante de um período de violência cada vez mais preocupante.

Incêndios e bastonadas

A pista criminosa é mais do que provável no que toca ao fogo que devastou a rádio comunitária Ibicoara FM, no dia 8 de janeiro. Segundo o diretor da estação, Emerson Silva Bispo, se trataria de uma forma de represálias relacionadas com as repetidas críticas dirigidas contra as autoridades sobre as insuficiências das políticas públicas no âmbito do programa “Voz do Povo”. No dia 8 de fevereiro, em Curitiba (Paraná), as chamas destruíram parcialmente a sede do jornal Folha do Boqueirão, propriedade do vereador Francisco Garcez. Um curto-circuito pode ter estado na origem do incêndio. Porém, Francisco Garcez não deixou de recordar que recebera ameaças recentemente, possivelmente ligadas às várias investigações conduzidas sob sua direção, como presidente do conselho de ética da Câmara.

Editor-geral do site HiperNotícias, em Cuiabá (Mato Grosso), Jorge Estevão foi ameaçado de morte no meio da rua, na manhã do dia 11 de fevereiro. Um indivíduo apontou-lhe uma pistola e lhe disse que ele estava “incomodando” e “invadindo seu território”. Jornalista político, também ele especializado na cobertura de casos de corrupção, Jorge Estevão prefere não especular sobre a origem dessas ameaças.

A polícia também tem sua dose de responsabilidade no que respeita às numerosas agressões registradas nesse início de ano. A imprensa sofreu maus-tratos, violentas detenções breves ou tiros de aviso no decorrer de uma brutal operação de desocupação de 9000 habitantes do bairro de Pinheirinho, em São José dos Campos (São Paulo), no fim do mês de janeiro. O seguinte vídeo ilustra os métodos utilizados pela polícia militar.