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13 Septiembre 2011 - Actualizado el 16 Octubre 2016

Receio de entraves à investigação sobre assassinato de jornalista na fronteira amazónica


A investigação parece paralisada, em Tabatinga (Amazonas), após o assassinato de Vanderlei Canuto Leandro, de 32 anos, jornalista e cronista habitual da estação local Radio Frontera. Porém, a vítima já havia denunciado, no passado mês de abril, ameaças relacionadas com suas atividades jornalísticas atribuídas a Samuel Beneguy, prefeito dessa cidade na fronteira com o Peru e a Colômbia. Não existem até ao momento provas do envolvimento deste último no caso, mas Repórteres sem Fronteiras receia o bloqueio na investigação que poderia ser causado por essa pista política.

“A pressão política, tradicionalmente forte nas regiões norte e nordeste do Brasil, é muitas vezes sinónimo de lentidão, ou mesmo de impunidade, em casos desse género. No entanto, é sabido que Vanderlei Canuto Leandro incomodava as autoridades locais devido às suas denúncias radiofónicas de casos de irregularidades financeiras. Esta audácia é muito arriscada em territórios assolados pela corrupção, o crime organizado e uma elevada insegurança. Solicitamos aos serviços da polícia federal de Manaus, encarregados do processo, que acelerem sua atuação e que explorem a eventual conexão entre esse assassinato e a profissão da vítima, mesmo que isso implique pedir explicações às autoridades de Tabatinga”, declarou a organização.

Vanderlei (também chamado “Wanderley”) Canuto Leandro apresentava o programa “Sinal Verde” na Radio Frontera, uma estação bilingue instalada no lado peruano da fronteira. Era igualmente presidente do sindicato de moto-táxis – Sindimoto – de Tabatinga. Na noite do dia 1 de setembro de 2011, desconhecidos a bordo de uma moto dispararam oito vezes na sua direção quando Vanderlei se encontrava nas imediações de seu domicílio. O jornalista teve morte imediata.

Segundo o blogue de notícias Blog da Floresta, Vanderlei Canuto Leandro havia acusado abertamente a prefeitura de Tabatinga de compras sem licitação e de desvio de merenda escolar, processos atualmente em mãos da justiça. No passado dia 6 de maio, o jornalista havia apresentado uma denúncia no Ministério Público do Amazonas na sequência das ameaças de morte que o prefeito, Samuel Beneguy, lhe teria proferido. De acordo com o texto da queixa, o prefeito teria abordado nesse mesmo dia o jornalista em plena rua e ter-lhe-ia recordado que “numa zona de fronteira as mortes ocorrem facilmente”. Vanderlei Canuto Leandro também se queixara de perseguições por parte do prefeito, nomeadamente através de apreensões sucessivas de motocicletas do Sindimoto. Samuel Beneguy negou as acusações.

Esse crime eleva a quatro o número de jornalistas assassinados no Brasil desde o início do ano, com motivo aparente ou provável relacionado com a profissão.