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10 Septiembre 2010 - Actualizado el 16 Octubre 2016

Assassinado radialista que criticava o poder


Repórteres sem Fronteiras está chocada com o assassinato, em 5 de setembro de 2010, de Alberto Tchakussanga, radialista de língua umbundu na Rádio Despertar, estação privada, criada com os acordos de paz entre o poder e a União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), antigamente a oposição armada. A causa do homicídio ainda é desconhecida. Alberto Tchakussanga é o primeiro jornalista morto em Angola desde 2001.

"Mesmo apelando os atores políticos a não politizarem nem envenenarem o caso, estamos espantados com a coincidência entre esse trágico incidente e a tensão política observada nestes últimos tempos entre o MPLA (partido no poder) e a UNITA (oposição), de que a rádio é próxima. Por isso, recomendamos que nenhuma pista, profissional ou política, seja descartada. Pedimos às autoridades que garantam inquérito aprofundado para esclarecer o assassínio, verdadeiro terremoto para a liberdade de expressão Angola", declarou a Organização.

No dia 5 de setembro, de madrugada, Alberto Tchakussanga foi encontrado morto na cozinha de sua residência, no bairro de Viana, em Luanda. O radialista foi morto com um tiro nas costas, disparado por desconhecidos com arma silenciosa. A cunhada, presente na casa, afirma não ter ouvido nenhum disparo.

Dois dias depois, durante conferência de imprensa, o porta-voz do MPLA, Rui Falcão, atacou diretamente a linha editorial da estação nestes termos: "A Rádio Despertar, filiada ao partido UNITA, lança sucessivos apelos à desobediência civil. Trata-se de uma situação grave que nos preocupa, e é por essa razão que conclamo todos os militantes do partido, simpatizantes e amigos a não reagirem a qualquer provocação, incitação ou convite que possam contrariar a lei e a ordem. (...) A atitude e os apelos da Rádio Despertar estão baseados nos discursos que os dirigentes da UNITA, particularmente o seu presidente, Isaias Samakavu, vêm pronunciando por estes dias". Ao mesmo tempo, um comunicado do Ministério da Comunicação acenou com a ameaça de ação judicial contra a rádio e convidou diversos organismos a "assumirem as suas responsabilidades frente à Rádio Despertar", citando, por exemplo, o Conselho Nacional de Comunicação Social (CNCS), instância que controla a mídia.

No dia 2 de setembro, três dias antes do assassinato de Alberto Tchakussanga, o MPLA já tinha alertado os cidadãos angolanos que, segundo ele, "conspiram" com o estrangeiro para denegrir o Presidente da República, José Eduardo dos Santos, e o seu governo.

O jornalista tinha 31 anos e era casado. Além da colaboração com a rádio, que lhe garantia grande popularidade na etnia umbundu (maioria em Angola e base social da antiga rebelião que a UNITA comandava), Alberto Tchakussanga era professor na Faculdade de Letras da Universidade pública "Agostinho Neto".